Azambuja teve uma corrida com sabor a Verão, a casa esteve bem composta para celebrar o cinquentenário do grupo de forcados da Azambuja, que pegaram a solo os cinco touros da Herdade de Camarate que sairam para Rui Salvador, Luís Rouxinol, Ana Batista, Manuel Telles Bastos e Soraia Costa. As faenas a pé estiveram a cargo de Manuel Dias Gomes e Rui Jardim, lidando, respectivamente um Calejo Pires e um João Ramalho.
Rui Salvador abriu praça com um complicado manso, sem força e de curta investida. Teve uma cravagem de no tom nos curtos, mas foi obtida pela sua sapiência. A pega foi efectuada por Fábio Nunes, também difícil de se obter pela falta de casta do touro, tendo-se efectuado na segunda tentativa, mas por um dos ajudas, pois na voltareta Fábio ficou ferido, assim, na terceira tentativa a pega foi concretizada por Pedro Sousa.
Luís Rouxinol, que celebra 30 anos de alternativa, teve pouca mais sorte com o seu oponente. Contudo, apesar de ser mas colaborante do que o anterior, distraía-se com imensa facilidade, estando toda a lide atento ao que se passava na trincheira. Rouxinol conseguiu imprimir uma lide alegre nos curtos,
fechada com um bonito par de bandarilhas e um violino magníficos.
A pega foi realizada ao segundo intento por Bruno Fróis, após uma longa espera para que o touro saísse para o forcado.
A Ana Batista coube-lhe um touro de melhor investida e com força, entendeu-se com ele nos compridos e assim seguiu na lide desta tarde de Verão em pleno Outono. A investida do touro era complicada, mas Ana conseguiu estar por cima do touro, brilhante na cravagem e elegante no cite e na brega.
Fechou com chave de ouro ao cravar muito bem um ferro de palmo.
José Quitério foi à cara, mas após vários para colocar o touro e desfazer, optou-se por dobrar o forcado da cara, com João Pedro Sousa que pegou na quarta tentativa, sua segunda.
Telles Bastos começou logo em nota alta, noutro touro que se apresentou focado na trincheira, com alguma intenção de saltar tábuas. Nos compridos este forte e nos curtos brindou o público com um meritoso esforço de cravagem em tábuas, ficando por cima do oponente de difícil lide.
A pega ficou a cargo de Humberto Maltez, que se fechou com o touro ao segundo intento, numa das melhores pegas da tarde.
Manuel Dias Gomes, que toureou um Calejo Pires, recebeu no capote por verónicas e fixou-se nos médios a pés juntos para uma bela serie de capotazos bem rematados.
O segundo tércio teve João Ferreira e Nuno Gonçalves a cravar bons pares.
Foi na muleta que realmente o matador se destacou, baixou a cara ao arisco touro, ganhou mando e esteve a dar a desfrutar por ambos pitons.
Rui jardim, da escola de toureio da Azambuja, na sua prova de praticante novilheiro, escolheu abrir com uma porta gaiola distante do portão dos curros, que surtiu grande efeito dado o salto do seu novilho de João Ramalho, continuou o primeiro tércio com, mais uma farolada e conduziu o opomente para os médios com imenso brio, por verónicas e luziu-se no capote. Com a muleta citou de longe, tomou o controle e sentiu-se o toureiro. Sacou pêndulos intercalados e teve uma lide redonda, ante um astado de valor, firmando-se numa tanda de joelho no chão, fechada a desplante. Um nome a reter.
Soraia Costa teve o último touro da noite para a sua lide. A jovem praticante teve algumas dificuldades na cravagem comprida e nos curtos a situação não melhorou.
Mas o público manteve-se caloroso e a motivador para a cavaleira, que sacou, a custo, alguns curtos bonitos.
A pega foi executada por Renato Pereira ao segundo intento.
O curro foi manso e nada colaborante de um modo geral, pelo menos para os cavaleiros. João Ramalho teve um novilho de ovação, e o touro de Calejo Pires foi de
bom nivel. Telles Bastos e Ana Batista tiveram as lides mais destacadas da tarde, mas quem realmente brilhou foram os espadas. Soraia precisava de ter mais ajuda num touro difícil para quem tivesse até mais experiência. Os forcados tiveram uma tarde dura, mas tiveram uma merecida festa de 50 anos.
Silvia del Quema
