Foi no passado domingo, 18 de Setembro que se realizou a tradicional Corrida das Vindimas na praça de toiros de Almeirim. Desta vez um concurso de ganadarias que, apesar da fraca afluência de público, resultou numa tarde emotiva e arrisco a dizer que ficou a perder quem não assistiu.
Em praça os cavaleiros Luís Rouxinol, Filipe Gonçalves e Duarte Pinto, acompanhados pelos grupos de forcados amadores da Chamusca e pelo Aposento da Moita. Em concurso estavam os toiros dos diferentes ferros: Herdeiros de Paulino da Cunha e Silva, Prudêncio, Manuel Veiga, José Luís Vasconcellos e Souza D’Andrade, São Marcos e Jorge Mendes.
Abriu praça Luís Rouxinol, que recebeu o hastado de 460kg ao seu estilo. Esteve bem na ferragem comprida e logo sacou o cavalo “Douro” para a ferragem curta. Rouxinol bregou e conseguiu entender o toiro que, por vezes, saía aos arreões para o cavalo. Destaque para o 3º ferro curto a reunir e rematar com boa nota a sorte. Terminou a lide com um ferro curto com boa execução como já nos vem habituando ao longo da sua carreira.
Para a pega, pelos amadores da Chamusca, Bernardo Borges reuniu à córnea, com o toiro a rodar ainda antes de chegar ao grupo resultando numa pega vistosa.
Filipe Gonçalves foi o segundo cavaleiro a pisar a arena. O furacão algarvio tem tido uma temporada de triunfos; vemos assim que o trabalho compensa e Filipe tem provas dadas. Foi com a égua “Faena” que cravou os compridos. Depois, com o cavalo “Gucci” que triunfou na cravagem dos curtos. Esteve correto na brega e reuniu com distinção. Depois de cravar o seu primeiro curto romperam-se as primeiras notas de pasodoble. Filipe esteve a gosto, desenhando bonitos ladeares recortados em tábuas e remate das sortes com notáveis piruetas, deixando o público em êxtase. Para rematar uma excelente lide, o algarvio trouxe à arena o “Xique” (famoso por “bater palmas”) com o qual cravou um violino seguido de ferro de palmo encerrando assim uma lide onde o toiro também foi generoso, correspondendo na sua investida.
A pega que estava reservada para o Aposento da Moita, coube a Martim Afonso Carvalho que esteve irrepreensível, reunindo à córnea segurando valentes derrotes enquanto o toiro, também este, “fugiu” ao grupo o que atrasou a entrada das ajudas que foram prontas consumando ao primeiro intento.
A fechar a primeira parte, o Cavaleiro Duarte Pinto recebeu o primeiro do seu lote com 520kg, este da Ganadaria Prudêncio que foi vencedor do prémio de bravura. Frente a um toiro com boas características e investida pronta, Duarte recebeu-o e cravou dois ferros compridos. Nos curtos, o cavaleiro trabalhou bem o toiro colocando-o nos terrenos certos onde aproveitou para cravar ferros de “praça a praça”. Esteve bem na reunião das sortes bem como no remate das mesmas, ficando a sua lide marcada pela elegância e classe com que se apresentou.
Para a pega, Francisco Borges dos amadores da Chamusca, acaba por consumar ao 5º intento à meia-volta, tendo aguentado valentes derrotes de um toiro “encastado” que derrotava por alto e de forma bruta, sem eficiência por parte das ajudas. Valendo assim o mérito ao forcado da cara que lhe foi autorizada a volta mas que este não deu.
Luís Rouxinol lidou o 4º da tarde, com 510 kg. Um bonito exemplar da ganadaria de Manuel Veiga (Vencedor do prémio de apresentação) que veio a “pedir contas” ao cavaleiro. Rouxinol sofreu valente toque na montada na ferragem comprida, o que já se fazia adivinhar qual o comportamento do seu oponente. Um toiro que se defendia e arrancava aos arreões intempestivos. Já nos curtos, com a “Viajante”, Luís andou curto e tentou mudar os terrenos ao toiro, trabalhando bem na brega mas com dificuldades face ao comportamento do toiro. Colocou curtos com boa nota, reunindo bem, no entanto alguns dos toques sofridos na montada acabaram por tirar o brilho que lhe era merecido. Terminou assim a sua actuação com um ferro de palmo.
Para a pega, envergando as ramagens do Aposento da Moita, José Henriques. Consumou ao 4º intento com ajudas carregadas sofrendo um fortíssimo derrote.
A quinta lide esteve a cabo de Filipe Gonçalves que já antes mostrou a vontade de triunfar. Pela frente tinha um oponente da ganadaria São Marcos com 460kg algo mais difícil que o anterior, no qual cravou 3 compridos de boa nota. Já nos curtos, Filipe cravou ao pitón contrário com a montada a retirar-se da cara do toiro, imprimindo emoção no momento da reunião. Num toureio alegre e irreverente que lhe é característico onde encurtou distâncias, recortou e delineou bonitos ladeares. A pedido do público cravou um palmito rematado com pirueta que fez vibrar as bancadas.
Para a pega, João Oliveira dos amadores da Chamusca, consumou ao primeiro intento reunindo bem com o toiro e com as ajudas correctas.
Para fechar a corrida, Duarte Pinto para lidar o toiro da ganadaria de Jorge Mendes com 480kg. Depois da cravagem correcta de dois compridos, Duarte Pinto esteve bem na lide do hastado que cumpriu. Apesar de citar de praça a praça, cravando a gosto e com mérito, mas no entanto a não dar as vantagens ao toiro. Ao precipitar um pouco o cite não segurou e não esperou pela investida do seu oponente. No entanto, andou correcto e elegante na execução das sortes.
Para o final estava reservada a pega da tarde. Pelas ramagens do Aposento da Moita, Miguel Fernandes que esteve sempre correcto no cite, na reunião e na viagem com o toiro até tábuas onde o toiro rodou e saiu do grupo ficando sozinho com o forcado da cara que aguentou até à chegada das ajudas.
Denise Coelho
