A corrida que homenageou João Ramalho em Salvaterra de Magos juntou, em concurso de ganadarias, reses de Miura, Palha, Veiga Teixeira, Murteira Grave, António Silva e Francisco Castro, para os cavaleiros António Ribeiro Telles, Filipe Gonçalves e Francisco Palha. Em praça estiveram os grupos de Santarém – como não poderia deixar de ser, uma vez que foi por este grupo que trajou João Ramalho -, e o de Lisboa. A casa esteve perto de cheia.
O saldo foi positivo nesta corrida, com emoção e arte, as pegas foram particularmente duras e os cavaleiros depararam-se com as particularidades de cada ganadaria e como foi uma tarde dedicada a apreciar os touros, vamos começar por aí.
O primeiro em praça foi o Miura, de 605kg, imponente e se não fosse por não ter cara de certeza que podia ganhar em apresentação, apesar de não ser uma apreciadora de touros pesados. Era concentrado, cortava caminho ao cavalo e tinha muito sentido, mas fechava-se quanto à investida e não deu jogo ao cavaleiro da Torrinha. Foram de registar os ferros curtos, de início sem necessidade de particular investimento da sua arte, mas apesar de o primeiro, terceiro e quinto terem sido de cravagem excelente, o touro foi decaindo na sua prestação.
A pega deste touro foi duríssima, João Grave, Cabo do grupo de Santarém foi à cara, na primeira tentativa foi imediatamente placado pelo impacto do touro, daí até ser pegado à quinta tentativa foi tudo semelhante.
O Palha calhou a Filipe Gonçalves, tinha 500kg, saiu bruto, com pata e a responder bem ao cavaleiro, não humilhava mas entregou-se na lide e não perdoava descuidos, tendo permitido a Filipe dar momentos de grande nível à praça, com cites frontais e boa cravagem, com alguns dos melhores curtos da tarde.
Por Lisboa, foi à cara do touro Victor Epifânio, agarrado ao tentar fechar e que ficou inanimado neste primeiro intento do grupo alfacinha, foi dobrado por Duarte Mira.
O Veiga Teixeira, de 615kg, saiu para Francisco Palha, que esperou o touro nos médios e cravou um bom ferro, infelizmente para sofrer um toque violento, que prendeu o posterior do seu cavalo e o magoou no impacto contra as tábuas. Nos curtos esteve elegante a citar e correcto na cravagem. O touro não cortava caminho e tinha investida, para mim, foi dos melhores da tarde.
A pega foi consumada ao segundo intento por Ruben Giovetti.
Da ganadaria Murteira Grave veio o vencedor dos troféus da tarde: Apresentação e Bravura. Com 540kg, foi um touro com trapio e genica, investida correcta e bravura, António Ribeiro Telles deu-nos uma lide extraordinária, com o touro em crescendo, a humilhar e a investir. O público ainda pediu mais um ferro no final, mas o Maestro não quis arriscar estragar o que já tinha feito e fechou com chave de ouro, no dia do seu aniversário, com duas voltas à praça.
A pega foi efectuada à segunda tentativa por Lisboa, indo à cara Pedro Gil.
O António Silva, de 570kg, coube a Filipe Gonçalves, o touro cuja apresentação gostei mais. Não era um oponente agradável de se ter e Filipe não só arriscou como deu tudo por tudo para sacar algo a um touro retraído e a avançar tarde e a passo para o cavalo.
A pega foi a melhor da tarde, por Santarém pegou Francisco Graciosa.
O último touro foi o mais manso, o Castro de 570kg nunca mostrou investida, fugia do cavalo a partir da primeira bandarilha, foi o verdadeiro manso, sendo impossivel a Francisco Palha fazer mais do que fez, cravando à meia volta e metendo-se nos terrenos do touro com necessidade de corrigir a cravagem por falta de investida.
A pega ao segundo intento coube a João Varandas.
Silvia del Queme
