A Palha Blanco, em mais um momento alto da festa anual do Colete Encarnado, recebeu no dia 3 de Julho uma importante corrida, onde abria cartel António Ribeiro Telles, digladiando o triunfo com o jovem João Moura Junior, contudo, era a estreia em Vila Franca de Xira do matador Manuel Dias Gomes que trazia maior expectativa.
Ante um curro de Mestre David Ribeiro Telles, e com a presença do seu filho no cartaz, além da relação forte do recentemente falecido Maestro com Vila Franca de Xira, era impossível não lhe ser prestada homenagem. Além do minuto de silêncio que lhe foi prestado e a outro cavaleiro que pereceu há dias, João Zúquete, no intervalo os filhos António e Manuel e o neto Manuel Telles Basto foram à arena receber uma lembrança da Tertúlia Vilafranquense.
Como é bem sabido, a Palha Blanco é uma praça onde se valoriza o toureio a pé, onde este é apreciado com conhecimento pelo público, daí a importância desta apresentação de Manuel Dias Gomes. Os touros que lhe couberam em sorte não ajudaram. O primeiro passou pelo capote e chegou a receber uma bandarilha e foi recolhido por problemas de visão. Saiu então aquele que seria o último da noite, com peso a mais (570kg) difícil de se ligar, mas ao qual o matador sacou arte no capote, sobretudo com duas chicuelinas cingidas de boa plasticidade. Infelizmente, depois disso, para o espada, pouco mais o touro deu.
Ao bandarilhar mostrou força bruta e daí para a frente só levantou dificuldades ao toureiro, apesar de ter permitido dois pares de bandarilhas que mereceram aplausos de montera na mão a Cláudio Miguel e João Ferreira.
No último touro da noite, Manuel Dias Gomes enfrentou o sobrero com os seus 605 kg de carne não lidável… Foi a muito poder que o jovem, numa altura do último tércio em que o público já lhe perdoava se tivesse desistido e depois de uma vistosa voltareta, mostrou a sua toreria, baixando finalmente a cara ao touro, cruzando-se com risco, e obtendo duas boas séries, após as quais deixou de haver investida.
António Ribeiro Telles esteve bem em ambos os touros, embora não tenha tido muita matéria, mas correspondiam o suficiente.
Destacou-se, como habitual, pela classicidade e para mim teve o triunfo da tarde, apesar de o melhor touro ter cabido a João Moura jr. A primeira lide do cavaleiro de Monforte foi interessante e bem fechada com um ferro de palmo de excelente nível. O seu segundo touro manteve o cavaleiro na sua esmerada brega, que mostrou bem o seu grande momento tauromáquico.
As pegas estiveram a cargo do grupo da casa, e houve uma particularmente emocionante, não tanto pela pega, mas pelo seu significado. Ricardo Patusco despediu-se das arenas, no dia do seu aniversário e tendo dado a volta com o seu sobrinho de dois anos fardado… Após a pega do quarto da tarde, Ricardo despiu a jaqueta com lágrimas e ante uma ovação de pé da praça da sua terra.
A primeira pega da noite foi consumada à segunda tentiva por Rui Godinho. A segunda foi feita por Gonçalo Filipe à primeira. A terceira foi de Ricardo, também ao primeiro intento. E a última foi ao segundo intento, sendo o forcado da cara David Moreira.
Silvia del Quema
