O curro despertou curiosidade para encher três quartos de casa nas Caldas da Rainha. Seis jaboneros de Canas Vigoroux.
O primeiro saiu um pouco reservado. Correspondia à voz, mas não apertava como prometera ao sair à arena. Rui Salvador soube aproveitar o melhor do touro e teve ferros curtos de grande emoção e correctos na cravagem. Se não brilhou mais a lide foi por falta de pata e ganas do oponente. Na pega, executada por João Ventura, do grupo de Aposento da Moita, o hastado da cor da areia da praça saiu forte, derrotou bastante e o caras ficou preso no píton direito, consumando a pega ao quarto intento com todos em cima para aguentar a mangada violenta.
Já o segundo jabonero da noite coube a Luís Rouxinol, que lidou o mais pesado, com 620kg. Saiu da porta dos sustos disparado, quase saltando a trincheira. O experiente cavaleiro cravou bons compridos, trazendo muita emoção. Nos curtos teve de puxar pelo o touro para o fixar na lide. O touro foi indo a menos, mas seguiu a cravagem ao estribo e brega com emoção, fechando com um palmito.
O cabo das Caldas da Rainha, Francisco Mascarenhas, executou a pega à primeira tentativa depois de muito chamar o touro e ter de desmanchar duas vezes a formatura.
A saída do terceiro Canas, para Gilberto Filipe, apresentou-nos o jabonero melhor apresentado, um bonito “fantasma” de touro a correr a arena. Mostrou-nos uma investida Franca muito interessante que deu oportunidade ao cavaleiro para uma boa lide, rematada com um violino e um ferro de palmo.
O grupo da Moita enviou à cara Marco Ventura, que se fechou ao quarto intento, a sesgo e após muitas dificuldades com o derrote deste touro que saía em linha recta mas derrotava para baixo violentamente.
Após o intervalo o hastado descolorido que saiu tinha muito sentido e Manuel Telles Bastos apercebeu-se disso desde os compridos. Nos curtos teve ferros de excelente cravagem e foi uma lide redonda, fechada com um palmito, a um jabonero prestável mas que quebrou cedo. A pega ficou por conta do grupo da casa, concretizada por Francisco Esteves à segunda tentativa com um poderoso abraço à córnea, aguentando embates violentos.
O quinto touro da noite foi recebido por Rouxinol Júnior numa sorte gaiola cuja reunião não foi à melhor, ficando o ferro demasiado traseiro. Mas os curtos que se seguiram foram foram duas boas cravagens, no entanto a sua lide não foi à desejada, ante um touro que era parco de investida. Martim Cosme foi à cara pela Moita e concretizou ao primeiro intento de grande tecnicidade e emoção.
Para fechar a noite de jaboneros, saiu para António Prates um hastado a carregar e a investir, mas fraco dos membros e o estado do piso – muito fofo – não ajudou. A lide em si ficou prejudicada pela sucessão de quedas do touro. E a pega não podia deixar de estar prejudicada com a claudicação do touro, pelo que grupo das Caldas, com o cara Duarte Manuel, que resistiu bem a derrotes fortes.
Foi uma bonita nocturna de homenagem aos bonitos 35 anos de alternativa da figura do toureio que é Rui Salvador.
Sílvia Del Quema
