Por ocasião da PIMEL 2013, realizou-se em Alcácer do Sal uma mini-feira taurina da qual mereceu evidência a corrida de toiros deste Domingo. O prato forte compunha um cartel com António Ribeiro Telles, Luís Rouxinol, Marcelo Mendes e os GFA’s de Vila Franca de Xira e Évora. No entanto, a expectativa foi criada pelo curro, e levou à castiça praça João Branco Núncio uma mancha de afición a pintar meia casa.
Anunciado como sério de hechuras, de pelagem rara e peso entre 480kg e 670kg o curro de Monteviejo, de Victorino Martín, aguçou o interesse dos muitos curiosos pela performance dos “patas blancas”, mas… se a curiosidade ficou satisfeita a satisfação foi certamente escassa.
Nesta tarde quente de Junho assistimos a um espectáculo sonso, com um cartel esmerado entregue à sua qualidade, embora tivesse por diante um curro a mansear.
A esperar o primeiro da tarde esteve António Ribeiro Telles, este cavaleiro não desilude. Recebeu 550kg de toiro que desde logo mostrou pouca mobilidade, e que veio a menos no decorrer da lide.
O cavaleiro entrou a cravar três compridos, dos quais se destaca o último numa sorte à tira, que pouca reacção terão provocado ao berrendo lucero.
Troca a montada para avançar nos curtos, e trabalhar na brega de um toiro que acusa a entrada nos terrenos. Deixa duas ferragens em sorte frontal, e recebe música ao terceiro ferro numa reunião bem ajustada à dimensão certa do seu valor.
António, luta pela investida ainda assim o toiro recolhe aos tércios onde é cravado o último ferro por dentro, com a subtileza de quem sabe tirar toiro onde não há.
A manter a bitola lá em cima, segue-se Luís Rouxinol, a quem tocou o maior da tarde, um toiro lucero, com 670kg e ferrado com o sete na espádua direita. Uma vez passada a capa do Josué, este berrendo en negro sente-se do primeiro comprido. Atento à brega do cavaleiro de pegões, o toiro entrou no quarteio com investida e o segundo comprido saiu bem. Fecha esta série com um terceiro ferro igualmente em bom plano.
Troca a montada para dar lugar aos ferros curtos, e assim ao jeito de quem é fiel ao toureio a cavalo, executou uma boa brega ante um toiro já pouco colaborante, combina dois primeiros deixados com rigor.
Escutou a banda da Sociedade Filarmónica Amizade Visconde de Alcácer, ao terceiro onde traçou uma faena animada, com ritmo e a deixar um ferro bem colocado no alto da cruz.
Luís, entra com a terceira montada para se colocar em sorte frontal e cravar acendendo as bancadas que, desde logo pedem o par de banderilhas que já o caracteriza. Ao que naturalmente o cavaleiro respondeu com preceito. Estava quebrada toda a monotonia da lide, emprestada por um toiro rendido, o público animou e o cavaleiro moralizado fecha com um ferro de palmo conseguindo mover este “Martín” das tábuas.
A concluir a primeira parte esteve Marcelo Mendes, que não se mostrou intimidado pelas figuras com quem compartilhava cartel. Marcelo recebeu um toiro malhado de preto, lucero de 550kg, que ao inicio deu ares de acudir aos cites com prontidão, mas rapidamente se revelou masarrão. Iniciou com dois compridos cravados com alguma irregularidade mas a ficarem, embora sem resposta do oponente.
Adapta a montada à série de curtos e abre desenhando uma sorte frontal com o toiro colocado nos médios, arranca uma forte investida para cumprir com regularidade. Ao segundo ferro leva a melhor tentando sacar o toiro das tábuas, alegra-o e cita de largo para desenhar uma sorte a sesgo.
Com música Marcelo, parte para o terceiro dos curtos perante um manso que acusa a invasão dos terrenos e perante a cravagem de um ferro em sorte violino, dá um toque na montada. O cavaleiro fecha a sua primeira actuação com um ferro deixado em tábuas precedido de um cite esforçado e audaz.
António Ribeiro Telles abre a segunda parte desta vespertina, com a meritória actuação que lhe valeu o prémio de melhor lide. No segundo lote o cavaleiro da Torrinha, teve pela frente um marchano, facado de 560kg. O cavaleiro soube avaliar as condições e comportamento do toiro. Após duas sortes com incentivo à investida sem sucesso, na cravagem dos ferros compridos o cavaleiro abdicou do terceiro e avançou para os curtos. Com o toiro encerrado em tábuas, a lide valeu pela maestria da brega, pelo cite determinado e pela concretização. Depois de um primeiro curto sem emoção, vem um segundo ferro vibrante cravado à tira. A partir daqui vem uma sequência de bregas sofridas, na tentativa de arrancar um rasgo de bravura quase inexistente, permitiu a sabedoria cravar um bom ferro.
Bonitos laivos de equitação abrilhantaram a lide e na última sorte António Telles pisa-lhe os terrenos para apontar um ferro que nos fica na retina.
Se Luís Rouxinol, lidou o maior, também lidou o mais pequeno. Tocou-lhe o quinto, com 480kg de peso, mais um berrendo, cornidelantero de idade avançada. Inicia a lide do segundo lote com um comprido a dar primazia ao toiro e a ficar bem. No segundo comprido o cavaleiro mostra com se definem os passos de uma sorte, templou, citou, mandou, reuniu e em quarteio cravou de alto a baixo com rigor. Ao terceiro comprido o toiro já exigiu que lhe entrasse nos terrenos mas o cavaleiro respondeu com acerto. Arriscou ainda um último comprido que lhe saiu irregular.
Entra nos curtos com outra montada e exibe uma sorte de violino já com o toiro a rachar-se, ainda assim, numa brega esmerada consegue levar o oponente viajado até ao centro do ruedo onde deixa o segundo da ferragem curta com brilho.
Se a música avivou a lide ao terceiro ferro, o toiro não se animou e os terceiro e quarto ferros foram cravados em tábuas sem nuances de luta, apenas de traição. Mas a firmeza e as ganas de quem tem sangue toureiro, inspiraram Luís Rouxinol numa dança em jeito de volteio, oferecendo a garupa ao toiro, arrancando-lhe uma ténue investida para cravar com talento.
Marcelo Mendes fechou praça dando inicio à última lide com o Celta. Desde logo, o derradeiro berrendo de 540kg, da divisa espanhola lilás e verde, deu mostras do seu génio atirando um susto ao bandarilheiro que o recebeu. Sim, esteve viria a ser o melhor da tarde!
Entrou algo distraído mas em pouco tempo resolveu mostrar algum interesse no cavalo. Marcelo citou, incentivou à perseguição e fixou-o nos médios para cravar com justiça o primeiro dos compridos. Num cite de praça a praça crava o segundo a sesgo, com o toiro a desligar de imediato da sorte.
Chega aos curtos, montado na harmonia do Único e a conseguir alguma ligação na brega, cita de tábuas para entrar nos médios a cravar um primeiro. Com o toiro a manter-se consegue desenhar uma bonita sorte frontal para cravar em quarteio bem pronunciado e rematar com boa nota.
A merecer música, o cavaleiro tira partido das virtudes da sua montada e desenha uma brega com um bonito temple, que veio a surtir um bom resultado na cravagem do terceiro.
A querer afirmar se nesta arte, Marcelo coloca um par de banderilhas en passant, onde o momento da reunião em equilíbrio com a velocidade dão muito valor à concretização.
A nobre arte de pegar toiros, esteve a cargo dos amadores de Vila Franca de Xira e Évora, capitaneados por Ricardo Castelo e António Alfacinha respectivamente.
Em ano de comemoração do 50º aniversário da sua fundação, abriram os de Évora. À cara do primeiro foi João Pedro Oliveira que brinda ao público uma pega, iniciada com um bonito cite, discreto e profundo para depois mandar, recuar a pegar a primeira, embora com a ajuda demasiado em cima a não permitir ao forcado aguentar os primeiros derrotes em solitário.
Rui Godinho, pegou pelos de V. F. de Xira à barbela um toiro que quase não deu tempo de citar, mas o forcado soube ler-lhe o ataque e fechou-se à córnea para executar à primeira tentativa. Mérito também para o rabejador, que aguentou e saiu com um admirável desplante.
Voltam os de Évora, para pegar um toiro que foi ganhando sentido durante a lide e foi difícil de colocar, ainda assim José Miguel Martins fala-lhe de largo, alegra-o à voz e recebe-o à córnea com o grupo a fechar-se bem.
João Maria Santos e Carlos Silva saíram para cernelhar o quarto berrendo, o que não veio a concretizar-se. O toiro nunca encabrestou e apesar de duas tentativas não se consumou a pega. Já com o tempo excedido V. F. Xira opta pela pega de caras e com carregas Márcio Francisco acaba por consumar sem dificuldade.
O quinto da tarde estava reservado para Ricardo Sousa dos de Évora. Desde logo se sentiu a raça do forcado, fixou-o e alegrando-o à voz recebeu à barbela um toiro que esteve renitente na investida.
A fechar praça esteve a seriedade de um forcado dos grandes, Ricardo Patusco, pegou à segunda tentativa um toiro ensarilho aguentando fortes derrotes firme na córnea. A robustez desta pega valeu a V. F. Xira o prémio de melhor pega da corrida.
Ana Paula Delgadinho
