A corrida de toiros realizada na Praça de Toiros do Sito da Nazaré, na noite de sábado 3 de Agosto, teve a essência de apresentar qualidades, defeitos e virtudes. A qualidade esteve (nos dias que correm, num país mergulhado na crise e onde se contam – cada vez mais – os cêntimos) na moldura humana que preencheu cerca de dois terços fortes das bancadas do tauródromo nazareno. A qualidade esteve, também, no excelente ritmo do espectáculo (duas horas e meia com cortesias, apesar de três pegas à segunda tentativa, da recolha das reses, voltas à arena e de um breve intervalo) que o tornou entretido e nada enfadonho. A noite, mesmo com a característica aragem fresca, estava convidativa.
Os toiros de Falé Filipe de apresentação regular, embora duvidosos em relação aos pesos anunciados, tiveram vários matizes no que à bravura concerne. Destacaram-se os lidados em segundo, terceiro e quarto lugares pela nobreza e mobilidade. Os restantes revelaram alguma mansidão, distraídos, com sentido, esparramaram vista e complicaram de certo modo o labor dos ginetes.
Luis Rouxinol lidou em primeiro lugar “um galgo” -palavras suas – um toiro alto, manso, que inicialmente, em galope cadenciado, se colocou em paralelo com a montada. Serviram os conhecimentos adquiridos para que Rouxinol pudesse deixar os ferros com raça e valor com destaque para o quarto, numa fase em que o oponente já se tinha rachado, terminando com um ferro de palmo. No seu segundo o cavaleiro de Pegões aproveitou, e bem, a relativa qualidade do “castanho” da “Herdade das Covas” para conseguir um (mais um) êxito sonoro na Nazaré.
Sónia Matias esteve em plano superior em ambos do seu lote, com lides desenvoltas, ritmadas e emotivas procurando corrigir os defeitos dos seus antagonistas com as virtudes que lhe são reconhecidas. Sobraram-lhe os violinos, sempre tão do agrado do público, e as “rosas” de palmo que fizeram as delícias do conclave.
O recém-alternativado Mateus Prieto foi o mais destacado em termos de toureio e cravagem da ferragem, mormente no terceiro da noite no que conseguiu um excelente triunfo. Assente nas ideias e nas intenções levou a cabo uma lide interessante, coerente e emotiva mostrando que está no bom caminho. Depois de três curtos, dentro das regras clássicas, cravados com rigor, optou para finalizar a sua lide com dois violinos e um “palmo” em terrenos cambiados a um toiro verdadeiramente colaborador. Já no que fechou praça sentiu algumas dificuldades, perante um toiro de muito sentido e que nunca se fixou, procurando ultrapassar os problemas apresentados com a dignidade que se lhe exige.
Sortes distintas tiveram os rapazes das jaquetas de ramagens.
Pelo Grupo de Forcados Amadores da Azambuja foram caras Ricardo Paiva e David Mouchão, ás primeira e segunda tentativas, respectivamente.
Pelos Amadores da Chamusca, Diogo Cruz e Mario Duarte, ambos ao primeiro intento.
Pelos Amadores de Cascais, Joel Zambujeira e Ventura Doroteia ambos ao segundo encontro.
Raul Caldeira
