O Alentejo viu encerrar a temporada no Coliseu do Redondo, onde um curro de Pinto Barreiros equilibrado, deu lugar às seis lides das três figuras em cartel, dos forcados da terra e dos de Coruche. Sem bater na bitola dos grandes triunfos, mas também sem defraudar todos andaram bem, proporcionando uma tarde de toiros afável.
António Telles brinda com gentileza à escassa franja de público presente. Aberta a porta dos sustos, saí um primeiro preto, com 430kg bonito de cara, e a entrar bem nas sortes à tira dos três compridos inaugurais.
Sem trocar de montada o cavaleiro da Torrinha aguenta a perseguição do listão e aplica-se na brega para o fixar nos médios e cravar em sorte frontal. António ajusta a montada para colocar mais dois ferros bem rematados, com maior destaque para o terceiro dos curtos com o toiro muito presente ligado na brega, e em resposta ao mando do cavaleiro investe para receber um ferro cravado de alto abaixo.
A sua segunda lide o cavaleiro da casaca verde e ouro, brinda ao aniversariante, Vítor Ribeiro. Tocou-lhe em sorte um chorreado com uma entrada vibrante que por pouco apanhava António desprevenido. Desde logo o cavaleiro entendeu que tinha por diante uma investida pronta de 520kg, e começa por lhe deixar dois compridos à tira. À entrada na ferragem curta, deparou-se com um oponente a abrandar a investida intempestiva, mas a entrar nas sortes com interesse na luta. O Maestro cravou cinco ferros curtos, com a verdade da sorte frontal e o remate que se lhe exige.
Rui Fernandes entrou alegre como é seu traço, para receber 490kg de toiro, um preto corno cerrado que entrou com uma perseguição vistosa. Nos dois primeiros compridos o cavaleiro soube tirar partido do andarilho e cravou dois ferros à tira. Na série de curtos, Rui entrou oferecendo a garupa na brega, fixou-o e cravou após um quiebro, ao segundo cita de praça a praça deixando a ferragem enroupada um bonito quarteio. Dos três curtos que lhe restavam, há que destacar o terceiro ferro em que o cavaleiro da Caparica esteve muito bem numa brega empregada, colocando bem o toiro e a citar seguro com o oponente a entrar voluntarioso na sorte para uma cravagem perfeita após novo quiebro.
Ao cavaleiro da casaca preta e prata tocou-lhe em sorte no segundo lote um ojo perdiz a pesar 450kg. Numa lide brindada aos apoderados, Rui dá inicio com dois ferros à tira bem medidos. Troca a montada para abrir a sorte de bandarilhas, e após uma soma de bregas aplicadas para fixar o coniabierto nos médios, crava três em sorte frontal. A saber entender a qualidade de investida de um toiro com resposta pronta, o cavaleiro desenhou ainda mais duas sortes frontais muito correctas e respeitando todos os momentos cravou com acerto. O público estava com ele e não o deixou sair sem brindar o Coliseu com uma última sorte. Rui entra na brega e pelo corredor, crava um par de bandarilhas.
A fechar ambas as partes esteve Vítor Ribeiro, o aniversariante que mal pisou os médios foi agraciado pela banda e pelos aplausos calorosos de uma ponta a outra das bancadas. Tinha reservado um castanho com 455kg, bem rematado. No conjunto dos compridos, Vítor deixou o primeiro à tira em su sitio, o segundo em sorte frontal bem cravado e o terceiro igualmente à tira em sorte veloz mas muito bem calculada. Ajusta a montada para dar inicio aos curtos e sabendo medir este corno cerrado, encurtou distâncias e comprometendo a montada pisou-lhe os terrenos para cravar. A animar a lide o cavaleiro, deixou ainda um último ferro em sorte de violino, que desde logo se fez sentir nas bancadas.
E porque um cavaleiro não está sozinho nesta profissão, a encerrar esta vespertina Vítor Ribeiro chama à praça a sua equipa e brinda-lhe esta última lide, em forma de agradecimento por todo o esforço feito e que sustenta o seu sucesso. Na derradeira abertura das portas dos currais, viu-se sair um exemplar de pelagem torrada, axiblanco e a pesar 475kg. Esteve bem o cavaleiro a receber o bragado corrido com três ferros compridos, sendo o terceiro citado de largo e cravado sem reprimendas. A dar continuidade a uma lide muito agradável, Vítor viria a cravar quatro ferros curtos sendo que, nos dois primeiros assistimos a uma brega ponderada instigando à perseguição, para depois o colocar nos médios e citar cravando no alto da cruz. Os dois ferros finais, foram dignos de apreciar um cite cuidado e uma entrada a bom tempo nos quarteios para cravar de alto a baixo, rematando com enlevo.
A forcadagem teve uma tarde cumpridora, os rapazes de Coruche e do Redondo liderados por Amorim Lopes e Domingos Jeremias estiveram valentes diante destes Pinto Barreiros que não se deixam levar por mansos.
A abrir praça foi Ricardo Dias, o forcado passa à porta dos cavalos e brinda a sua pega a António R. Telles, para logo se perfilar. Citou discreto e assim que manda, vem para si um toiro pronto que o forcado pegou à córnea com firmeza.
Ao segundo foi Hugo Figueiras, que trazendo o toiro alegrado à voz recebeu um ensarilhão a tirar o forcado da cara, mas este a aguentar com braços de ferro os derrotes e insistente a encaixar-se até que o grupo chegasse para consumar.
À cara do terceiro foi José Marques, que oferece a sua pega ao público presente. José foi persistente no cite, mostrou-se, fixou-o a si e convencido a ficar carregou e aguentou a viagem fechado à barbela, para depois os companheiros o fixarem e pararem o oponente em definitivo.
A abrir a segunda parte Fábio Caeiro não teve a melhor sorte e saiu lesionado, dobrou-o Rui Grilo. Determinado citou um toiro com prontidão e reuniu fechando-se à barbela suportando alguns derrotes até que o grupo se emendasse para concluir.
João Laranjinha brinda aos pais, e depressa se prende ao propósito de pegar o toiro. Cita na ginga da cintura, como quem lhe mostra a faixa e avisa, em resposta recua e fecha-se enchendo-lhe a cara com o grupo a entrar sem complicações.
A fechar praça esteve Carlos Silva, que partiu para um cite discreto, pausado, suave e de seguida aguentou uma reunião violenta, pegando à córnea este número 281 com o grupo a fechar-se bem.
Ana Paula Delgadinho
