6 de Abril de 2014. A data terá por efeméride o debute da ganadaria Alves Inácio na abertura da temporada da praça de toiros de Salvaterra de Magos. Divisa verde e amarela no farto morrilho de seis estampas. Seis murubes com um peso médio de 540kg, bem armados (à excepção do terceiro, de cara muito diferente da dos irmãos de camada), montados por diante, musculados e todos negros de capa. Oscilaram em comportamento, mas provaram mobilidade. Entre um manso perdido a fechar-se em tábuas, três encastados a pedir contas, outros dois mais suaves, muito no tipo do encaste que tanta tinta tem feito correr.
O ganadero foi chamado aos médios no quinto da ordem e recebeu o aplauso da meia casa que encheu Salvaterra. Seria, porém, com o sexto que Manuel Telles Bastos e Rui Godinho dos Amadores de Vila Franca de Xira, terminariam a corrida com chave de ouro e os justos vencedores dos primeiros troféus em disputa nesta temporada.
João Salgueiro abriu praça frente a um dos mais colaborantes do curro. Desenhou os ferros de frente, acometendo galhardamente para reunir ao piton contrário. De todos, sobraram à vista o segundo e o último curtos – daqueles que surgem como rasgo de inspiração em terrenos de compromisso. Na segunda parte, a lide correu-lhe menos de feição. Brigou com o cavalo de saída para os dois primeiros compridos e nos curtos, o toiro pedia contas e não permitia que a reunião fosse ao estribo sem deixar a montada sem saída. Foi tudo demasiado áspero para resultar. De frente, a dois tempos, com reunião ao estribo – o terceiro curto foi o momento que ficou na retina.
O segundo da ordem, mostrou surpresa à novidade de cor à sua volta. Acabou por abrir e cumprir. Metia a impressionante cara com suavidade no capote mas também lhe faltava profundidade. Paulo Jorge dos Santos aproveitou a mobilidade e candura do Alves Inácio. De menos a mais, cresceu em adorno e agitou as bancadas. Mas seria na segunda lide, com um oponente que saiu dos curros a galope com sentido à montada, que teria os melhores registos da sua passagem. Soube ler o encastado e extraiu da mobilidade e da aspereza o que precisava para chegar às bancadas. Foi o toiro da tarde! Arriscando na brega com ousadas piruetas, adornando os cites e os remates com “a lambada” da montada estrela da quadra, fechou a lide, com um violino, depois de dois bons ferros de frente!
Levaria o prémio para casa, não fosse Manuel Telles Bastos fechar a tarde com uma belíssima actuação. A primeira parte correu “menos bem” ao ginete da Torrinha. Depois de uma saída alegre, com duas voltas a galope atrás a montada, o quatreño veio a menos. Galhardo a rematar a sorte e a perseguir, cedo se enquerençou nos curros, donde saia para bater, duro na reunião. Pena que o cavaleiro (que vinha até a conseguir por nas dificuldades aquela beleza da estética ímpar da sua escola) se tenha deixado ficar com o “menos bem” com que fechou. O último era uma estampa de toiro – aplaudido à saída. Montado por diante, bem armado, musculado e bem proporcionado nos 580kg que acusou na balança. Não foi fácil. Distraindo-se com facilidade, tendia para tábuas mas empregava-se nas reuniões e a lide foi um recital. Bonitos quarteios, reuniões ao estribo recebendo debaixo do braço, foram uma sequência de bons ferros que conformaram uma grande lide – justamente premiada.
Nas jaquetas de ramagens a tarde foi dos Amadores de Vila Franca de Xira que abriram a temporada a deixar antever que se mantem e está para durar o excelente momento que atravessam.
Pelos Amadores de Évora abriu praça Ricardo Sousa que só à quarta conseguiu consumar com uma pega de recurso, sem que nas três primeiras tenha conseguido entender-se com o oponente. Dinis Caeiro também não foi feliz nas três primeiras tentativas, consumando à quarta à meia volta. Salvando a “honra do convento”, João Madeira consumou à primeira com uma eficaz primeira ajuda.
Pelos Amadores de Vila Franca de Xira foram solistas António Faria e David Moreira, que consumaram à primeira com determinação. A pega da tarde foi de Rui Godinho que foi buscar o toiro à jurisdição, recuando uma enormidade, evitou os derrotes e a investida ensarilhada para fechar no momento certo à córnea e aguentar a viagem.
Sara Teles
