A tarde no Montijo arrastou-se em três horas e meia de espectáculo. Sete cavaleiros e sete grupos de forcados, quase todos querendo aproveitar para se demorar um pouco mais no palco. Quase todos mal se apercebendo que não raras vezes, «o menos é mais».
O festival, que revertia a favor do Fundo de Assistência da Tertúlia Tauromáquica do Montijo, não chamou muita gente às bancadas.
Ana Batista abriu praça com uma actuação redonda. O cinqueño de Fernando Palha andou quase sempre a trote e a chouto, mas tinha bons modos e emprestava-se nas reuniões. A cavaleira sacou bons ferros, bom quarteio e boa brega. Quanto a nós, foi a lide da tarde.
Pedro Salvador irreverente e arriscando como sempre, não podia deixar de ser autor dos ferros mais emotivos da tarde. O segundo curto, de poder a poder, com o exemplar de João Ramalho a galope, reuniu nos médios com aquelas distâncias de milímetros capazes de nos fazer suster o fôlego. A irreverência depois, a ajoelhar e deitar a montada, agitou o público mas – já se sabe – ofende os cânones.
Todos os restantes pertencem à novel geração de valores. Valor têm muito, com certeza… mas falta génio, a chama, a personalidade ou o pormenor que façam a diferença para tirar o espectáculo da monotonia. Mais ou menos bem feito, ninguém se destacou.
Marcelo Mendes lidou um exemplar tão feio quanto manso. O de José Palha foi para tábuas e muito a custo o cavaleiro do oeste lhe deu a volta. A lide foi demorada mas não passou do terceiro curto.
Tiago Martins teve uma boa passagem pela monumental do Montijo. A entrega foi o que mais sobressaiu. O ginete esteve a gosto e a lide surgiu ligada e com bons apontamentos, frente a um cumpridor de Prudêncio.
Filipe Ferreira foi o único dos ginetes que não deu uma demorada volta ao ruedo. Apesar de se ver esforçado, o praticante esteve em tarde de desacerto e acabou por falhar vários ferros, deixando por ver muito do interessante jogo do Santos Silva.
Outra lide inspirada foi a de Verónica Cabaço. A jovem tem sentido de lide, é pragmática e tem graça. Compôs uma bonita lide ao de Eng. Luís Rocha com destaque para os ferros com batida ao piton contrário.
Já muito em cima da hora do Benfica, Mara Pimenta já não encontrou muita disponibilidade do público. Fez «tudo certinho» frente ao Passanha mas não aqueceu as bancadas.
Estava em disputa o prémio para a melhor pega. Foi ganho pelos Amadores da Moita, consumada ao primeiro intento e foi uma pega vistosa protagonizada por Fábio Silva que soube encher a cara ao oponente de João Ramalho que acudiu a galope assim que viu o da cara perfilar-se nos médios.
Dos Amadores do Ribatejo Pedro Coelho não conseguiu mandar nas duas primeiras tentativas. À terceira, concretizou a pega de que se destacou uma muito eficaz primeira ajuda.
Iúri Gomes da Tertúlia Tauromáquica do Montijo consumou à segunda tentativa.
Dos Amadores da Azambuja Hugo Abreu, tardou a carregar à primeira tentativa e à segunda, apesar de não se ter fechado de pernas aguentou a viagem com decisão.
Dos Amadores de Arronches foi à cara Luís Ventura, que emendou a mão ao segundo intento com uma boa pega à barbela.
Luís Fontes dos Amadores de Monsaraz, escorregou ao recuar no primeiro intento e ao segundo concretizou eficaz.
Fecharam os Amadores de Arruda dos Vinhos, com uma pega à primeira tentativa por João Encarnação.
Sara Teles
