Parece que Salgueiro da Costa optou por querer fazer da “volta à arena” mais do que um mero costume. Ainda bem que o faz. Para além de lhe ficar muitíssimo bem o brio de só sair para a volta não só quando o público a pede como quando a merece, pode vir também a mudar os hábitos – o que em boa muito boa hora acontecia. É assim que deve ser! Mesmo com uma volta a menos, exibiu com justiça o prémio para melhor lide que se disputava esta tarde.
Quanto ao atractivo curro de Manuel Veiga deve dizer-se que foi exactamente o que se esperava. Um curro sério, a pedir contas e a transmitir. Foram os toiros – bem apresentados, (embora heterogéneos de apresentação e comportamento) a chave mestra para a boa corrida de Salvaterra de Magos.
Embora o calor chamasse para a festa, não se alcançou a meia casa. Quem esteve divertiu-se! Foi mais uma das boas, das que interessam do princípio ao fim e que não nos deixam tirar os olhos do redondel.
As duas metades da corrida foram distintas. A primeira parte, além de também o sol ter aquecido mais as bancadas, também os toiros e toureiros tiveram mais arte e mais acerto.
Ana Batista abriu praça com negro que acusou 440Kg na balança. Arrancava de largo, de toda a praça e empregava-se no momento para as reuniões, adiantando-se quase sempre à montada. Sério, este primeiro não se permitia descuidos. A cavaleira esteve realmente bem. Cheia de toureria nos gestos entendeu perfeitamente o oponente e estendeu a lide até aos cinco curtos, todos de excelente nota, de frente e bonito quarteio e boa brega. Na segunda parte esteve muito mais discreta e tudo lhe correu menos de feição. O toiro era muito diferente do primeiro: esperava e depois apertava na saída da montada. De todos, este quarto, que acusou 520kg, foi o de menor. A cavaleira consentiu-lhe alguns toques, abriu mais as sortes e não chegou a encontrar a chave.
Tiago Carreiras foi o mais uniforme entre as duas lides. O primeiro, um negro bragado com 430kg, que saiu dos curros a berrear, tinha codícia a perseguir a montada e transmitia. O ginete optou pela exuberância das sortes ao piton contrário. Só que o toiro só ia pela certa, ficava no engano e frenava um pouco nas reuniões, o que acabou por levar a duas ou três passagens em falso. Os ferros que resultaram, tiveram impacto e a lide reflectiu-se com muito som nas bancadas. O mais pesado da corrida igualou em trapio e transmissão. Acudia aos cites com chama e foi sempre claro. O cavaleiro esteve-lhe à altura e aproveitou a chama do oponente para rematar os ferros com uma brega adornada, levando-o pelo estribo. Pena que os ferros não tenham todos ficado em su sítio e que num caso ou outro as reuniões não tenham sido tão cingidas mas o resultado final foi uma boa passagem de Tiago Carreiras.
Salgueiro da Costa levou para casa o prémio em disputa. O toiro que saiu em terceiro, com 450kg, era o único cinqueño do curro. Começou fechado e reservado mas abriu e cresceu com a bem conseguida lide. Realmente inspirado, o mais novo génio Salgueiro apostou em copiosas sortes de largo, de frente, acometendo e aguentando nos momentos certos. Arriscou muito e colheu os bons frutos do compromisso com os terrenos de verdade que escolheu. Bem sabia que a lide tinha agradado às bancadas mas nem por isso se atirou para arena para a volta. Esperou pelos aplausos e pelo apelo do público para a volta e assim é que tem de ser! Com o flavo de 470kg que fechou a corrida foi mis discreto. Além do imponente segundo comprido, de poder a poder, houve um ou outro momento bons que oscilaram com vários desacertos, um ferro a cilhas passadas, outro que caiu, uma passagem em falso. Fiel ao princípio, o cavaleiro recusou dar a volta.
O capítulo das pegas esteve a cargo dos Amadores de Lisboa e Amadores de Salvaterra.
Pela formação lisboeta João Luz e Daniel Batalha consumaram ao segundo intento. Pedro Maria Gomes pegou o mais duro da corrida à quarta tentativa.
Os Amadores de Salvaterra consumaram a primeira pega à terceira tentativa pelo cabo. João Damásio consumou à primeira e Rúben Pratas, levou o prémio para a melhor pega, com a primeiríssima da sua carreira.
Sara Teles
