Esteve um terço de casa em Évora para ver a terna de cavaleiros.
Estava apontado um curro de Manuel Coimbra mas a corrida acabou em “duelo de ganadarias”. Dois dos toiros da Herdade do Marmeleiro partiram as hastes já nos curros da praça e assim, para equilibrar os lotes, decidiu a empresa «Toiros e Tauromaquia» dividir a corrida com a divisa de Passanha. O jogo que podia resultar de duas ganadarias de linhas e encastes tão diferentes acabou por trazer um novo argumento para o espectáculo.
Os de Manuel Coimbra da primeira parte foram justos de forças e embora encastados, não deslumbraram. Na segunda parte os dois primeiros de Passanha saíram muito no típico comportamento da ganadaria enquanto o terceiro se distinguiu como manso e sem classe mas encastado com salero.
João Moura esteve muito bem frente ao de Manuel Coimbra. Teve uma saída alegre com um galope cadenciado. De início não era claro a meter a cara no capote e nos ferros levava-a lá a cima nas reuniões mas foi abrindo num jogo suave e de mobilidade. Acabou por ser a matéria-prima perfeita para o maestro. O público não lhe deu a devida importância, primeiro porque era a lide a abrir função e o público estava frio e depois porque Moura “pai” não está na moda. Na segunda parte tocou-lhe um exemplar de Passanha que se tapava nos ferros. Embora o tenha experimentado em diferentes terrenos, a lide não passou do plano da regularidade.
Com Vitor Ribeiro foi o inverso. O de Manuel Coimbra foi reservado e exigia que lhe pisasse terrenos. Só quando lhe invadia a jurisdição se encastava e a verdade é que o cavaleiro andou um bocadinho aliviado. Foi de boa execução e bom som o quarto curto mas a lide foi morna. Frente ao Passanha da segunda parte esteve em excelente plano. O toiro cumpriu, nobre e a transmitir e o cavaleiro foi-se acercando nos terrenos e subiu o timbre do terceiro ao último ferros. Cingiu terrenos e do terceiro ao último ferro repetiu a sorte de frente e ao estribo com verdade e emoção. Mexeu com a bancada!
Por fim Jacobo Botero. O colombiano tem a simpatia do público e está de moda. Mesmo perante uma lide irregular, frente a um oponente encastado mas escasso de força e que aqui acolá caía, o público pediu música e exultou com ele nos melhores momentos. Começou com uma sorte gaiola emotiva e bem conseguida e terminou com dois violinos. Com o Passanha houve outros contornos. O toiro recebeu o primeiro ferro a doer-se e a procurar saída e do seu comportamento foi sempre evidente uma inglória falta de classe. O que é certo é que foi o toiro mais interessante. O manso encastava-se, empregava-se para colher e foi o que mais transmitiu! As sortes com a batida piton contrário, o adorno nos cites e nos remates e a brega tiveram um resultado francamente positivo!
Nos forcados, as más notas pesaram mais na balança.
Abriram praça os Amadores de Santarém.
João Grave consumou à primeira tentativa. Bem fechado à barbela, consumou a pega com eficácia embora com uma perna em cima do piton tenha tirado um maior brilho. O grupo correspondeu coeso.
António Góis viu o toiro sair a apalpar, e, cara no chão. Sem conseguir uma boa reunião acabou por consumar à segunda tentativa enchendo agora a cara ao toiro e bem fechado à córnea.
Talvez para em evocação à praça e ao seu famoso concurso de cernelhas, os escalabitanos optaram por mandar o seu último toiro para a volta. Foi muito demorado e difícil para José Miguel Carrilho e Miguel Tavares. O toiro esteve sempre com muito sentido nos forcados e não raras vezes os obrigou a saltar para a teia. Assim que os sentia o toiro escoiceava e brigava. Entraram duas vezes, e, na segunda o rabejador esteve enorme mas o cernelheiro ficou para trás. Mandou o cabo executar de caras por David Inácio mas com demasiada confusão.
Pelos Amadores de Évora, João Pedro Oliveira complicou e não conseguiu reunir com eficácia. Só à quinta tentativa com o grupo carregado se efectivou a pega. Ricardo Sousa esteve tecnicamente correcto, mandou e reuniu com eficácia numa pega bonita. Francisco Oliveira recebeu o toiro a meia altura no peito na primeira tentativa. À segunda o oponente tirou-lhe a cara e à terceira à meia volta consumam com o forcado determinado em concretizar a pega.
Pedro Reinhardt dirigiu a corrida com acerto e alguma tolerância.
Sara Teles
