Este estranho calor de Outubro deixa-nos “esquisitos”. O sol fora de época e a humidade são factores de stress e deixam-nos facilmente irritáveis e tensos, dizia o estudo de um clínico espanhol publicado hoje.
É o fim da temporada e o tempo é mais de castanhas do que das “queijadinhas de Sintra”… ou então é a crise! Certo é que as bancadas da Monumental Celestino Graça não chegaram além de um quarto de preenchimento.
A data inicial foi prejudicada pela instabilidade e mau tempo que se fez sentir no início do mês e em boa hora a empresa adiou a data da corrida de beneficência a favor da Santa Casa da Misericórdia para um dia tão agradável em que até somava o “extra” da Feira Nacional da Gastronomia mesmo na vizinhança do tauródromo.
A corrida de seis cavaleiros e concurso de ganadarias com dois grupos de forcados de monta ficou-se pelo insucesso ganadero. Em bom rigor e para fazer jus ao conceito – o prémio bravura devia ter ficado deserto.
Joaquim Bastinhas abriu praça frente a um toiro de Falé Filipe, que por ter entrado em substituição do exemplar de São Martinho, não entrava em concurso. Aos primeiros ferros, o castanho reservou para tábuas e andou sempre distraído e a desligar-se a cada oportunidade. O cavaleiro conseguiu impor-se e, sem a exuberância que lhe é habitual, cumpriu com uma lide correcta e consonante.
O segundo toiro da tarde coube a Sónia Matias. Com o ferro de Falé Filipe, este segundo de imponente cara e farto morrilho, seria o primeiro a entrar em concurso. O comportamento, porém, ficou aquém da apresentação. Sem classe no capote, foi reservado e áspero nas reuniões. A cavaleira esteve em “dia não” e mão pouco certeira. Abreviou e a lide não passou do morno apesar de o terceiro e quarto ferros da ordem terem resultado sonantes.
Seguiu-se uma actuação de Pedro Salvador. Da inegável irreverência não se viu muito esta tarde. Antes foi uma lide alegre e fluída muito ligada ao oponente da ganadaria de Lopes Branco. O toiro foi, de facto, o que melhor serviu. Voluntarioso, acedeu à brega e aos cites em curto mas era justo de forças.
A Filipe Gonçalves calhou em sorteio um quatreño de Manuel Veiga. Ao sentir os compridos perseguia com velocidade criando emoção nas bancadas, mas nos curtos acabou por andar sempre a chouto. O manso era indiferente a que lhe pisassem os terrenos. O cavaleiro algarvio esteve muitos furos acima da qualidade da matéria-prima. Conseguiu cingir a brega a ladear ao ritmo e passo do oponente e ajustar as sortes às investidas desencastadas. Foi a lide da tarde, com o público a reconhecer o labor do ginete que terminou com as palmas do Xique e dois ferros violino.
Marcelo Mendes lidou um bonito toiro de Herdeiros de António Silva. O mais pesado da tarde (com 610kg), ofereceu um jogo suavón e nunca se empregou seriamente, apesar de um bom tranco que exibia nos remates dos ferros. A lide foi desligada e em tom monótono mas para o fim, o cavaleiro compôs dois ferros sonantes, esperando até ao limite, mandando vir o toiro de fora para dentro para receber de cambiada ao estribo e terminar em bom plano.
Mara Pimenta fechou a corrida frente a um encastado da divisa de Conde Cabral. Depois do primeiro comprido e na sequência de uma distração da praticante, o toiro colheu a montada e desmontou a cavaleira em aparatosa queda. São estes momentos que marcam diferenças… Levantou-se e não pensou duas vezes em correr para a montada e compor a lide. Se já gozava de uma grande simpatia do público, é bom de ver que a temeridade a quadriplicou. O manso encastado exigia muita cátedra e foi uma lide irregular mas a garra e a vontade de mostrar ofício compensaram o que houve de menos bom.
As pegas estavam a cargo dos Amadores de Santarém e Amadores de Évora.
Foi uma corrida de saldo positivo para os anfitriões escalabitanos. António Góis consumou a primeira pega do grupo à primeira tentativa contornando com serenidade a investida a chouto e a medir. João Grave impôs-se na investida quase a passo, mas o toiro desviou caminho, parou e imprimiu forte derrote de cima a baixo, tirando o forcado da córnea. À segunda resolveram sem dificuldade. Por fim, David Inácio fechou a prestações dos Amadores de Santarém com uma boa pega, com excelente e oportuna ajuda.
Para os Amadores de Évora a tarde não foi tão afortunada. João Pedro Oliveira viu o oponente arrancar-se sempre de imprevisto e intempestivo. Faltaram ajudas nas duas primeiras tentativas e só à terceira conseguiu consumar. Ricardo Sousa não conseguiu obter reunião nas três primeiras tentativas em que o toiro investia a medir, frenava e metia a cara nos joelhos do forcado. À meia volta consumaram à quarta tentativa. João Madeira fechou a tarde à quarta tentativa.
Sara Teles
