Vou sempre com expectativa para os festivais dos mais jovens.
É mais ou menos como um «olheiro» nos jogos dos juvenis e juniores, à procura daquele toque que arrebata a intuição para dizer que há ali uma futura estrela.
Pensando nisto, imagino o «olheiro» a sair do relvado de mãos nos bolsos, cabisbaixo e aborrecido porque afinal só há um n.º 7 em milhões.
Nesta sexta-feira, feriado de 1º de Maio, o Cartaxo teve cerca de meia casa a assistir ao festival, que conjugava toureio a pé e a cavalo, só com nomes muito jovens a figurar no cartel.
Sérgio Nunes, abriu praça com o toureio apeado.
Teve por diante um eral de Pinto Barreiros, feio e demasiado cómodo de cara.
O jovem apresentou-se em plano eficiente em todos os tércios.
Abriu com verónicas e variou com chicuelinas e revoleras.
Bandarilhou com segurança e donaire e esteve igualmente correcto na muleta.
Procurou fixar-se nos médios e dar amplitude à investida algo curta do revoltón de Pinto Barreiros, que, ainda assim, repetia a gosto na flanela por ambos os pitons.
Foi uma actuação digna.
A Manuel de Oliveira coube em sorte um bonito castanho de São Torcato que saiu enraçado e transmitiu muito.
Nem era fácil de lidar nem foi cómodo em momento nenhum.
O jovem ginete esteve bem nos compridos mas o eral aprendeu o caminho. Dali para a frente adiantou-se e atravessou-se sempre à montada. Ainda assim, e, mesmo depois de sofrer um violento toque pelo estribo, Manuel de Oliveira conseguiu manter a ordem de trabalhos e concluir a sua passagem em sentido ascendente.
Seguiu-se Francisco Parreira, que foi o grande triunfador da tarde.
Ao jovem tocou um eral bravo, que atingiu notas de excelência e que fez mostrar o lenço castanho do director Lourenço Luzio para a volta do ganadero.
O jovem esteve-lhe à altura. Deixou todos os ferros com mão certeira e executou as sortes com verdade e com graça. Lidou com entrega e bom sentido de lide e conseguiu agitar as águas e chegar às bancadas.
Bernardo Salvador começou menos bem e falhou alguns ferros. Depois, ganhou sítio e a lide andou em sentido ascendente. O jovem, que contagia imediatamente o público com a sua simpatia, ‘cresceu’ ante as contrariedades e mostrou ofício para as resolver.
As pegas estiveram a cargo dos Amadores do Cartaxo que não encontraram dificuldades – Vasco Freitas, Bruno Martins e Pedro Matos foram os da cara a concretizar todas as pegas ao primeiro intento.
Sara Teles
