«Uma imagem vale mais do que mil palavras».
Realmente, a história dos 100 anos de fundação foi contada – sem palavras – nas imagens da corrida deste sábado! Só quem lá esteve poderá ter sentido o orgulho da família scalabitana nas memórias dos «heróis» de cada geração, que se contaram em cada pega, percorrendo um caminho de cem anos da história de Santarém e do forcado amador.
É o primeiro grupo de forcados da nossa história a atingir um século de fundação com actividade ininterrupta.
Quão bonito é ver um avô, um filho e um neto – três gerações lado a lado envergando a mesma jaqueta nas cortesias? Muitíssimo.
Pois a tarde foi dos Amadores de Santarém e o resto pouco ou nada teve que sobressaísse.
Diogo Sepúlveda deu o exemplo e foi à cara do primeiro. Uma pega tecnicamente perfeita que Carlos Grave selou com donaire a rebejar.
Gonçalo Cunha Ferreira (antigo cabo e pelo qual os anos parecem não passar) aguentou a viagem por baixo e concretizou à primeira.
António Grave de Jesus consumou à quarta tentativa, com o manso a imprimir fortes derrotes quase parado para o tirar.
Manuel Murteira (um dos forcados mais tecnicistas da história) esteve bem ao primeiro intento, aguentando grande parte da viagem baixa do oponente mas só à segunda tentativa concretizou com uma enorme ajuda de Pedro Cabral. A rabejar, recebeu António Cachado um enorme ovação.
Gonçalo Veloso no seu estilo inconfundível, concretizou à primeira com uma excelente ajuda de Nelson Ramalho.
Por fim, o épico António Gama (herói e fonte de inspiração de toda uma geração) fechou a corrida fazendo a praça levantar-se em ovação numa pega plena de garra e de vontade como sempre foi seu hábito.
A cavalo,
João Moura abriu a tarde com uma lide algo irregular frente a um exemplar de Murteira Grave que não rompeu.
Joaquim Bastinhas aproveitou a saída alegre e enraçada do oponente para compor uma lide correcta, de todo no timbre deste cavaleiro popular que consegue sempre lograr o entusiasmo do público.
O terceiro da tarde foi um manso perdido que dificilmente saíu da porta dos curros e que não permitiu a António Ribeiro Telles recriar-se.
A Rui Salvador tocou um exemplar de boa nota que se impunha nas reuniões. Nos curtos, um apertado quarteio e a reunião ao estribo foram o ponto alto com os melhores ferros tarde.
Luís Rouxinol foi também afortunado no sorteio com um toiro que cumpriu e colaborou com raça. Aproveitando a toureabilidade do oponente, o ginente logrou concretizar um lide redonda e completa.
Vitor Ribeiro fechou com chave de ouro. Sortes de frente, acometendo e pisando terrenos, enfatizaram as boas qualidades do último de Murteira Grave.
Sara Teles
