A praça estava praticamente cheia e muito ambiente nas bancadas setubalenses!
Foi uma noite muito agradável e o espectáculo permitiu chegar aos menos e menos exigentes. O principial motivo: os toiros!
É verdade que o público se diverte com os adornos mas não é menos verdade que o público só se emociona com o perigo e com as dificuldades que se impõem.
Os toiros eram da ganadaria Eng. Mário Vinhas – foram, acima de tudo, encastados! Sem consentir que lhes entrassem na jurisdição, exigiam esses terrenos de compromisso sem conceder.
João Moura desenvolveu duas lides de muito boa nota.
Para abrir lidou um preto bragado corrido, com 525 kg, de aspecto gordo mas com sobrante mobilidade. Repetiu enraçado no capote com que foi recebido e ao primeiro comprido. Com fijeza e codícia, o oponente de Mário Vinhas suscitou o imediato entusiasmo na bancada! A lide foi a dar primazia ao oponente. Cites terra-a-terra a abrir quarteio para receber debaixo do braço. Muito boa nota.
Na segunda lide houve uma ou outra irregularidade. O toiro exigia um registo completamente distinto: esperava e depois adiantava-se ao cavalo. A invulgar capacidade de interpretação do génio Moura, garantiu uma lide no timbre certo e em excelente tom. Ía terminar, mas a bancada não o deixou sair sem «mais um» que foi um dos de melhor nota do conjunto.
O primeiro oponente que saiu a Luis Rouxinol era distraído e respondia com arreões intempestivos. Mantendo-o ligado, conseguiu extrair-lhe a codícia e o tom encastado para atingir bom efeito. Foi uma excelente actuação do ponto de vista da «leitura» do toiro, que, por fim se encostou em tábuas.
O quinto era um preto estrelado bragado corrido, marchano, calçado dos posteriores e rebarbo. Com uma saída alegre e enraçada, foi voluntarioso e impôs-se nas reuniões e nos remates das sortes. Uma lide redonda que chegou com muito impacto ao público, que se levantou para aplaudir.
Sónia Matias foi uma vez mais, a valentíssima guerreira que não baixa os braços ante a adversidade e a verdade é que o sorteio não lhe ditou sorte com o lote que lhe tocou.
O primeiro, saiu com gás mas a chama, apagou-se cedo. Com o toiro fechado em tábuas, a cavaleira bem tentou entrar-lhe na jurisdição mas teve que recorrer aos subalternos para cumprir a ferragem da ordem. Só discordamos com o director de corrida na atribuição da música – é verdade que merecia reconhecimento pelo esforço mas ver atribuída a música precisamente quando é o bandarilheiro a colocar o toiro não é apropriado.
O último toiro da noite era um manso encastado, muito reservado que exigiu o suor da amazona, que teve o público consigo e que, apesar das dificuldades conseguiu cumprir.
Para as pegas estiveram destacados dois sonantes grupos: Santarém e Alcochete.
Com 100 anos, os de Santarém celebram uma temporada redonda. Como é evidente, abriram praça esta noite.
— Bateu as palmas ao toiro e este saiu com pata. Recebeu bem à barbela e foi o que lhe valeu para aguentar a viagem a fugir ao grupo, que, ainda assim, foi eficaz a concretizar à primeira.
Rúben Giovety pisou a jurisdição e entrou nos terrenos do toiro. Recuou e mandou em certíssimos tempos e executou rija pega ao primeiro intento.
— Não conseguiu concretizar nas duas primeiras tentativas. À terceira, recebeu e aguentou a viagem com pata e a fugir ao grupo.
Pelos Alcochetanos foi o cabo, Vasco Pinto, a abrir a noite.
Uma pega espectacular e duríssima. O toiro acudiu ao cite e pôs os rins na reunião, desviou a viagem e fugiu ao grupo várias vezes e exigiu braços e garra para lá ficar. Levantou a bancada.
João Machacaz saiu para a segunda pega do grupo. O toiro ensarilhou ligeramente e faltou na reunião impedindo a pega. À segunda subiu no terreno e concretizou uma vistosa e difícil pega.
Fernando Quintela teve braços para suportar um forte derrote de cima abaixo e aguentou a viagem dura do oponente, numa pega que valeu segunda chamada aos médios.
Sara Teles

