Quando é que um filme é mesmo bom?
Para mim é preciso ter um bom argumento. Uma grande ideia de fundo que, se possível, surpreenda e arrebate.
Melhor ainda se o filme tiver uma boa realização, com um bom guarda-roupa e banda sonora e bons efeitos especiais.
Mas quantas vezes vamos ao cinema e no fim nos damos conta que a grandeza dos efeitos especiais não chegou para a pequenez da história?
Às vezes nos toiros é assim. Foi tudo pensado para ser grandiosidade e para encher o olho dos aficionados mas … o elemento chave, não tem argumentos e a história fica sensaborona.
A primeira de Alcochete no tradicional concurso de ganadarias resume-se assim: o prémio bravura ficou deserto.
Seis toiros mansos e desencastados, que acusaram o calor e o ar pesado e desiludiram um por um, apesar das melhores, mais antigas e mais prestigiadas ganadarias que representavam.
As pegas, que estavam exclusivamente a cargo dos Amadores, lá foram resgatando o espectáculo da monotonia.
O primeiro foi um castanho bragado, alto, bonito de cara e trapio com 550Kg e a divisa de Rio Frio. Coube a António Telles. Um toiro complicado, com muito sentido, sempre a medir, andava a chouto e sem se empregar, acometendo sem humilhar… Apesar de tudo, foi um dos toiros mais interessantes da tarde. Primeiro porque dentro do conjunto foi o mais encastado. Segundo, porque a cátedra e o génio de António Telles ganham toda a expressão e é extraordinário vê-lo ler, interpretar e traduzir as dificuldades em genuína arte.
Rúben Duarte abriu a tarde dos Amadores. À primeira a reunião dura em conjunto com um derrote por alto tiraram-no da cara. À segunda trancou-se com decisão e o grupo fechou com uma excelente primeira.
Rui Salvador teve por diante um enorme Vale de Sorraia salgado de capa, fundo e largo que acusou 605kg na balança. Com problemas de locomoção que se foram agravando, o toiro impôs ao cavaleiro que se limitasse ao indispensável.
Para a pega foi Pedro Viegas que viu o toiro, inesperadamente, sair com pata e empurrar até tábuas. A preparação do forcado foi inatacável. Fechou-se com decisão e concretizou uma pega vistosa.
O toiro de Passanha, um preto bragado meado com bem distribuídos — kg coube a Vitor Ribeiro. Com sentido, o oponente intuía o caminho à montada mas muito pouco ou nada transmitia na reunião ou nos remates das sortes. A lide teve louvável esforço e foi até em sentido crescente mas faltou «salero» para que despontasse.
Diogo Timóteo aguentou a viagem por baixo e nunca descolou da cara, mesmo quando o toiro caiu com todo o grupo em cima.
O toiro de Francisco Romão Tenório foi com toda a justiça premiado com o troféu apresentação. 665Kg bem distribuídos, num toiro alto, fundo e imponente. E não poderá dizer-se que o peso lhe limitasse a mobilidade já que de saída presenteou o público pouco entretido com dois «magníficos saltos» que não causaram lesões mas enormes sustos! Na lide, deixou-se mas não cumpriu com boa nota. António Telles, extraíu-lhe tudo que havia para dar e completou a sua tarde com mais uma lide importante
Fernando Quintela concretizou uma pega rija à primeira. O toiro entrou com pata e o forcado simplificou, fechou à barbela e concretizou a pega com uma ajuda eficaz e coesa.
O quinto da ordem tinha o ferro Eng. Samuel Lupi, 570kg e era preto bragado. Tocou a Rui Salvador, que fez o possível para o manter ligado. O oponente distraído manseou cedo e distraiu-se o mais que pôde com os movimentos na teia, para o onde pareceu querer saltar a qualquer momento. Acedeu à ferragem da ordem com arreões de encastado mas faltou ligação.
Vasco Pinto bateu-lhe as palmas e concretizou à segunda tentativa com uma pega tecnicamente exemplar a que correspondeu uma importante ajuda.
O toiro de Pinto Barreiros que fechava o concurso, rematado e com uns bem compostos 530kg, pareceu acusar o calor.
O toiro deixou-se mas não colaborou. Foi Vitor Ribeiro que, com muito mérito, pôs a alegria das sortes e logrou concretizar alguns ferros de impacto, mercê do quarteio apertado e reuniao cingida.
Nuno Santana perfilou-se para pegar este exemplar, e, sem conceder, concretizou à primeira aguentando uma viagem por baixo com o toiro a pesar sobre o grupo.
A tarde estaria definitivamente encerrada com um novilho de Passanha que se lidou extra-concurso pelo jovem equatoriano Sebastian Peñaherrera. Com um exemplar de grande qualidade, a arrancar-se voluntarioso e nobre, o jovem iniciou a lide com bons modos. Pena que, a final tenha deixado colher a montada num percalço que conseguiu ultrapassar sem dificuldade. Parece estar no bom caminho, mas por Alcochete, teve uma passagem discreta.
O jovem António Cardoso, não foi eficaz na primeira tentativa mas à segunda reunião em técnica exemplar e fechado à barbela, concretizou a pega com uma boa ajuda do grupo.
Sara Teles
