Uma excelente corrida.
A frase é simples mas parece ser a única forma de começar a contar a história de quinta-feira, na corrida em que se comemorou o trigésimo quinto aniversário de alternativa de Paulo Caetano.
O cavaleiro homenageado esteve absolutamente soberbo!
Senhor de uma irrepetível figura a cavalo, Paulo Caetano compôs uma brilhante actuação clássica e arrojada, qual lufada de ar fresco. Lidou um toiro que tinha chispa mas que de tão malvisto importava acrescida dificuldade. Daí que a lide, séria, arriscada e em tom crescente, fez retumbar a bancada em aplauso com o público rendido ao espectáculo!
Na segunda parte, convidou Diego Ventura e João Moura Caetano para desenhar uma lide, em inédito trio. Resultou bem mas soube a pouco, porque depois do que lhe vimos na primeira parte, bem nos apetecia ver um outra abordagem de Paulo Caetano num exemplar de caracteres completamente distintos do primeiro.
A primeira lide de Diego Ventura foi mais sóbria que a segunda. Esteve extraordinário a receber o toiro e nos compridos, que cravou aquela distinta suavidade… Os curtos foram de igual intuição e a lide foi totalmente ao agrado da bancada. Desceu um bocadinho o elevado nível da actuação com a Milagro mas a soma final foi largamente posivita.
O quinto da ordem, saiu com um problema de mobilidade quase nada visível mas que determinou a recolha por ordem do director de corrida. Primeiro estranhamos o preciosismo mas pensando melhor, reconhecemos que a decisão não podia ser mais acertada. Como primeiríssima figura que é, Diego Ventura tem todos os holofotes virados «contra si» à espera do mais pequeno deslize. Daí que acabou por ser muito mais interessante ver trocado o quinto pelo imponente sobrero, que não só em apresentação como em comportamento fechou com a maior dignidade um espectáculo pautado por essa bitola. E nesta segunda lide, última da noite, Ventura presenteou a Moita com uma actuação vibrante e completa. Desde a brega, à escolha dos terrenos e colocação do toiro ao momento da sorte e do ferro, tudo resultou bem e bonito ao ponto de ser difícil relatar sem correr o risco de parecer exagerar. Olé Ventura!
Por último e em indiscutível exéquo esteve também Moura Caetano. Em ambas as actuações o ginete logrou arrebatar a bancada. Duas lides com o seu cunho singular, ambas em tom de triunfo.
Na primeira lidou um «andarilho» que custava a fixar-se e deixar em sorte. Acertou o timbre e optou pelas sortes em cambiadas suaves que resultaram em reuniões vibrantes.
Ainda assim, gostámos mais da segunda actuação, por mais completa e redonda. Além dos ferros terem resultado sonantes, sobressaiu igualmente a brega a colocar o toiro e a rematar as sortes, num conjunto de todo em todo harmonioso. O público exigiu música ao segundo comprido e «entregou-se à entrega do cavaleiro»!
Também no capítulo das pegas as tarde foi gloriosa.
O Aposento da Moita capitaneado por José Pedro Pires da Costa, pegou em solitário os seis toiros da divisa de Paulo Caetano, todos à primeira tentativa!
Foi primeiro Francisco Baltazar que bateu as palmas ao toiro (completamente malvisto) que saiu solto e com pata. Esteve muito bem a mandar com a voz e a consentir para reunir à córnea com eficácia.
José Broga executou uma boa pega à córnea com o toiro a sair pronto ao cite. Bem ajudado, logrou concretizar à primeira apesar de o toiro ter complicado lá atrás.
Seguiu-se uma boa pega de Martim Oliveira que teve que corrigir uma investida ensarilhada e humilhada, com uma determinada reunião à córnea.
Enorme esteve Nuno Inácio que teve que alegrar e consentir muito o hesitante oponente para reunir com eficácia e fechar com oportuna e coesa ajuda.
João Rodrigues pisou os terrenos do toiro e entrou-lhe na jurisdição sem desarmar ante as reservas do oponente. Esteve enorme a aguentar e mandar na investida quando o toiro saiu ao aviso, numa pega dura e difícil que completou à primeira tentativa.
Depois de cinco pegas à primeira tentativa José Maria Bettencourt tinha responsabilidade acrescida. Tecnicamente perfeito concretizou a última pega de uma noite memorável para a formação moitense.
Sara Teles
