A feira taurina da Moita terminou na tradicional tarde do fogareiro.
O cartel de seis cavaleiros e «para todos os gostos» resultou em agradável competição e em bom resultado artistico.
Os toiros de Herdeiros de António Silva deram bom jogo, com salero e correspondente apresentação.
Sónia Matias abriu praça. Teve por diante um toiro duro, que se adiantava e empregava nas reuniões. Foi uma das raras ocasiões em que a cavaleira não respondeu com a raça e valentia a que nos habituou o que terá sido resultado de uma indisposição. Algumas passagens em falso antecederam os dois compridos e dois curtos que deixou para cumprir a ordem.
Gilberto Filipe desenhou uma lide sonante. Entendeu perfeitamente o exemplar que lhe tocou em sorte. O toiro foi colaborante e nunca se furtou aos médios, embora lhe tenha faltado alguma chama e tenha acabado por vir a menos, tapando-se nas reuniões. A abordagem do ginete pôs o salero que faltava e selou boa actuação.
Filipe Gonçalves arriscou, entregou-se e meteu o público no bolso no primeiro comprido. Deixando o toiro vir de largo e a adiantar caminho, o ginete aguentou ao limite e deixou um primeiro ferro de cortar a respiração. O exemplar que lhe tocou tinha sentido e intuiu sempre o desenho das sortes, que somadas ao arrojo de Filipe Gonçalves foram sonantes. O público da Moita desfrutou do excelente momento que o cavaleiro algarvio atravessa!
Seguiu Marcos Bastinhas com uma lide em tom alegre que agradou também às bancadas da Daniel Nascimento. O quinto da ordem transmitia muito, permitindo uma lide muito ligada e harmoniosa. Com um par como último ferro, a lide veio em sentido ascendente, selando-se uma boa passagem.
Tomás Pinto concretizou momentos de grande apuro no início da lide, deixando colher a montada violentamente contra tábuas. Felizmente sem consequências para o cavaleiro e montada a lide seguiu com a vontade determinada do jovem cavaleiro. Ainda assim e embora o evidente esforço e empenho, a função foi algo irregular com alguns bons pormenores.
Mara Pimenta lidou o último da ganadaria de António Silva que, tanto como é habitual desta divisa, pedia contas. Ainda em início de carreira, a jovem revelou algumas dificuldades mas um grande espírito e sentido de lide.
As pegas foram partilhadas entre os Amadores de Alcochete e Amadores da Moita.
Pelos Amadores da Moita
Fábio Silva encontrou dificuldade na reunião, saindo por cima do oponente. Concretizou à terceira tentativa.
Francisco Mirrado esteve valentíssimo numa pega rija em que o toiro fugiu ao grupo e levou o da cara até tábuas, aguentando vários derrotes.
Pedro Raposo esteve heróico. O quinto da ordem metia os rins a empregar-se na reunião e tirava o forcado com violência. Sem desarmar ante as dificuldades, o cabo da formação moitense concretizou cinco tentativas impressionantes. A galhardia e raça do cabo contrastou, porém, com a falta de ajuda do grupo.
Dos Amadores de Alcochete foi primeiro Pedro Belmonte que esteve enorme frente a um toiro que o empurrou até tábuas. A excelente primeira ajuda e coesão atrás determinaram que a pega se concretizasse ao primeiro intento. De igual boa nota foi também a vistosa e dura pega de João Machacaz. O forcado cumpriu os cinco tempos com garra e o grupo correspondeu eficaz.
Sara Teles
