O Campo Pequeno não esgotou para ver o génio de Morante de la Puebla, mas como se costuma dizer: Só interessa quem está. E quem esteve soube o que estava a ver, era aficionados de verdade e, para mim, isso significa casa cheia. Cheia de ambiente.
E a nocturna de quatro Zalduendos para um dos cinco grandes matadores foi um reflexo de arte em ambiente intimista, em que dois touros foram ideais e outros dois podiam ter ficados longe das arenas.
O primeiro que deixou a porta dos sustos embrenhou-se perfeitamente na arte de Morante. No capote entregou-se para nos brindar nas chicuelinas do espada.
A impressão que nos deu desde logo foi a de cada um de nós estar em família, a apreciar um pequeno e detalhado maravilhoso quadro. O segundo tércio mostrou a raça do touro ante bandarilhas de colocação suficiente. Já na muleta voltámos a sentir o pider dos justos ‘olés’, ante um toureiro que pode tirar tudo ao touro.
Os segundo e terceiro da noite nem vale a pena falar. São azares que acontecem: Mal vistos, ensonados, não importa o que chamemos porque a questão está que não houve réstia de bravura.
Felizmente o quarto touro voltou a prestar-se à tela pintada por Morante extraordinariamente. Bem no capote, soltou-se verdadeiramente na muleta e Morante aproveitou tudo, merecendo a volta em ombros com que se despediu da primeira praça do país, onde lidou pela primeira vez e sempre ao som do grande cantor de flamenco El Cigala.
Quem não esteve no Campo Pequeno não sabe o que perdeu. Se Juli, a temporada passada, mostrou a força que tem o toureio a pé, Morante sublinhou agora que há aqui um crescendo que não se pode parar.
Silvia Del Queme
