Deixemo-nos de brincadeiras. A noite de touros em Salvaterra de Magos aconteceu para podermos conhecer pessoalmente o toureio da revelação vinda do outro lado do Atlântico, o jovem de 19 anos, com a tauromaquia nos genes, de seu nome Roca Rey.
Embora o cartel tivesse duas figuras do toureio Marialva – Rui Fernandes e Ana Batista -, as pessoas quase esgotaram a castiça praça para ver toureio a pé.
Os seis Murteira Grave da noite não ajudaram ao triunfo, complicados de se lidarem, tendo os dois últimos sido piores e o último foi o sobrero.
Mas o que importa são as lides de Roca Rey. A expectativa era muito grande e, talvez por isso mesmo, não foi satisfeita por completo, apesar de, na minha humilde opinião, as duas lides terem trazido grande emoção.
Roca coloca -se nos terrenos da verdade e liga -se ao touro no modo de quem está a pôr “a carne no assador”, como dizemos na gíria. O espaço entre ele e o touro não existe para mais do que dois dedos, os pases de espalda abundam e o interesse em dar tudo ao público para ser figura está patente em todo o risco que corre. Muito elegante no capote, não o vimos bandarilhar, sendo a muleta o seu grande tércio.
Estou certa que se fará figura, por enquanto falta a maturidade que a idade ainda não lhe permite ter, de modo a ter mais mando e evoluir em arte.
Nas pegas destacaram-se Pedro Viegas por Alcochete e João da Câmara por Montemor, e a cavalo, para mim, Ana Batista, num dos touros mais duros da noite acabou por me mostrar um triunfo por saber ultrapassar um touro (o seu segundo), complicado e conseguir sacar-lhe algo para os tendidos.
Rui Fernandes esteve extraordinário na brega e apesar de um toque que o tirou da sela, no seu segundo touro, conseguiu entender que o touro ia continuar a atravessar -se e acabou a sua lide mais difícil em alta.
Roca Rey, esse, fechou a dar duas voltas no último touro e deixa vontade de ver mais do que tem para dar à tauromaquia.
Sílvia del Quema
