Foi na solarenga tarde de terça feira que, com um ligeiro, mas compreensível atraso (devido aos imprevistos acidentes que ocorreram nos acessos à Moita) se deu início à primeira corrida da Feira da Moita. A Praça de Toiros contou com cerca de três quartos de praça. As expectativas estavam altas e o cartel não desiludiu. Para as lides os cavaleiros Luís Rouxinol, o rejoneador Diego Ventura e o cavaleiro João Moura Caetano. Em solitário pegou o Grupo de Forcados do Aposento da Moita. O curro de boa apresentação pertencia á ganadaria de Dona Maria Guiomar Cortes de Moura, toiros que cumpriram mas pouco transmitiram.
A abrir praça, Rouxinol, frente ao 174 com 577kg. Como é hábito, esteve correto na ferragem comprida, e como não sabe “estar mal”, sacou o cavalo “Douro” para a ferragem curta. Desenhando bonitos ladeares, andou soberbo na colocação de um toiro algo andarilho. Cravou de alto a baixo bons ferros, esperando pela investida do oponente no cite. Rematou a lide com um par de bandarilha que já faz parte do seu registo.
Para a cara do primeiro toiro, Miguel Fernandes fechou-se á primeira tentativa sem complicações na reunião e nas ajudas.
Ao segundo da tarde, com 537kg, Ventura recebeu-o de “portagayola”. Cravou um excelente ferro rematando a sorte em curto deixando o toiro no centro da arena. Um ferro que fez adivinhar o que ainda estava por vir. Foi com “Sueño” que cravou ferros curtos de excelência, onde aguentou e esperou pela investida do toiro, cravou ao piton contrário rematando com bonitos ladeares e recortes que levou a uma enorme ovação por parte do público. É realmente um cavalo de sonho, toureiro, nobre e com uma elasticidade e facilidade em reunir e sair da sorte. rematou a lide com 3 ferros de palmo colocados em sorte de violino.
Para a pega, Salvador Pinto Coelho fechou-se á primeira tentativa, com uma boa primeira ajuda.
João Moura Caetano, já recuperado da lesão sofrida, esteve correto na ferragem comprida, frente a um oponente algo reservado e frio de 592kg.
Destaque para o 1º e 2º curtos, onde aguentou e esperou pela investida do toiro resultando numa boa reunião ao estribo. Os restantes curtos seguiram-se de igual forma, com Moura Caetano a cravar de alto a baixo, dando vantagem ao oponente e a rematar o último ferro com uma pirueta na cara do toiro.
A fechar a primeira parte da corrida, João Ventura pegou á primeira tentativa um toiro que saiu solto e que protestou ao sentir o forcado na cara. Esteve valente e contou com boas ajudas. Acabou por lesionar-se no ombro na sequência da pega.
Na segunda parte da corrida, o comportamento dos toiros foi melhorando, e Luís Rouxinol voltou a receber o seu toiro, com 570kg, estando exímio na ferragem comprida. Para a ferragem curta, com a já conhecida “Viajante”, colocou ferros de grande maestria. Fez suspirar as bancadas ao esperar pela investida do toiro até “à última”, reunindo ao estribo. Grande lide e grande desempenho desta dupla que nunca desilude.
Para a pega, Rúben Serafim ao segundo intento, demonstrando uma enorme força de braços e valentia (que já havia sido notada na primeira tentativa onde o forcado aguentou fortes derrotes sozinho na cara do toiro). Ajudas corrigidas e uma segunda tentativa de grande mérito para forcado da cara e ajudas.
Voltando a Ventura, uma vez mais a receber o toiro em sorte de gaiola. De igual forma, frente a um oponente de 605kg que remetia mais que o anterior do seu lote. Foi com Nazari que desenhou uma lide de menos a mais, levando o público ao rubro. Com toda a nobreza da montada pisou os terrenos corretos e levou o toiro cadenciado com ladeares recortados em tábuas. Foi com Ritz que cravou ferros de excelência. Citou, reuniu e cravou em perfeita harmonia. Ultrapassou todas as expectativas com montadas “elásticas”, dobrando-se na cara do toiro, delineando bonitos recortes e quiebros. Rematou com mais 3 ferros de palmo em sorte de violino, em terrenos mais apertados (o toiro já se começava a defender em tábuas), fechando com um par de bandarilhas de palmo onde acabou por sofrer um ligeiro toque (desnecessário) na montada.
Ao quinto da tarde, o recente cabo José Maria Bettencourt efetuou um pegão. Esteve irrepreensível e ponderado no cite, alegrou a investida ao toiro e aguentou fortes derrotes até tábuas fechando-se na primeira tentativa com as ajudas do grupo.
Fechou a corrida, com boa nota João Moura Caetano enfrentando o toiro mais pesado da corrida com 620kg. Depois da correta ferragem comprida, Caetano sacou dos trunfos e com Aramis cravou bons ferros. Também por ladeares, pisou os terrenos certos e cravou bons ferros com destaque ao 1º e 3º curtos. Rematou a lide citando de praça a praça, reunindo bem com o oponente e colocou o ferro de forma exímia.
A pega ao último da noite, com um brinde especial e emotivo ao antigo forcado Nuno Carvalho, foi realizada por Bernardo Cardoso ao primeiro intento, que percorreu uma viagem dura até ás tábuas onde suporta fortes derrotes do toiro.
Denise Coelho
