Na Nazaré houve sempre uma afición especial, diferente da comum praça de beira-mar, onde alguns aficionados de férias matam saudades dos touros no meio de turistas que vão pela primeira e, provavelmente, única vez aos touros. Esse não foi nunca o cenário daquela castiça e antiga praça. Contudo, o passar do tempo trouxe à terra em si, mais do que à praça local, um distanciamento dos grandes acontecimentos taurinos.
É uma evolução natural, perante o cenário taurino português desde meados dos anos 90 do século passado. Mas o facto de ser natural, não quer de todo dizer que não se deva lutar contra essa tendência, e é cada vez mais importante que isso seja feito em todos os locais de alma taurina. Na passada noite de dia 14 de Janeiro, na Nazaré, foram atribuídos os prémios O Picador, na I Gala da Tauromaquia, tendo sido entregues 26 troféus a diferentes âmbitos da tauromaquia. E esta foi a noite em que a Nazaré voltou a entrar para o panorama dos grandes eventos taurinos portugueses. Sendo que era isso que a organização – de Henrique Gil e Lúcia Loureiro – pretendia, podemos dizer que triunfaram claramente.
A noite foi divertida do princípio ao fim, tendo-se a cerimónia, hollywoodesca, prolongado por mais de seis horas. O ambiente estava ao rubro e a grande expectativa, ao início da noite, era a presença ou não do matador de touros Morante de la Puebla, que acabou por se confirmar perto das 21 horas.
O jantar, num espaço muito agradável na zona nobre do paredão nazareno, estava perfeito para a classe do evento, as sevilhanas e o fado pautaram as pausas entres troféus, e os prémios em si foram elegantes.
Os triunfadores de 2016 foram, desde matadores e cavaleiros, a forcados e empresários, meios de comunicação social e aficionados, até jovens a iniciarem carreira e figuras desde sempre associadas ao mundo do touro em Portugal e Espanha. Todos estiveram presentes para receber os seus troféus, exceptuando Luís Miguel da Veiga, que ainda está em recuperação.
Num ambiente de grande convívio e pura aficción, destacaram-se alguns prémios, nomeadamente Morante de la Puebla (galardoado com o prémio de Matador Internacional) que só pela sua presença deixou clara a importância que dá ao troféu, a Portugal e à afición portuguesa e seu crescente apreço pelo toureio a pé. Ainda no âmbito do toureio apeado, destaco os prémios, de António José Ferreira, Tó Jó, que recebeu o troféu de Matador Nacional; “Mestre José Júlio foi outra das presenças de peso nesta noite de homenageados 2016”. e de Paula Santos, como Novilheira, que se destacou ao longo das suas prestações públicas ao longo de 2016. Assim como Pedro Gonçalves – Bandarilheiro Internacional – e o de Davide Antunes, como Bandarilheiro Nacional.
Já na arte Marialva, Luís Miguel da Veiga era um nome intransponível nos seus 50 anos de carreira, enquanto Rui Salvador recebeu o prémio de Mérito. Já Marcos Tenório ‘Bastinhas’ foi o Cavaleiro da Temporada Nacional e Filipe Gonçalves o Cavaleiro Consagração, enquanto Parreirita Cigano foi o jovem que sacou o troféu de Cavaleiro Praticante. De entre as ganadarias que brilharam em 2016, a escolhida para esta noite de cristal, foi a de
São Torcato, tendo Joaquim Alves recebido o merecido prémio. Forcados, tiveram destaque o Grupo de Montemor-O-Novo e o de Arronches. Porém, não ficou por aqui, outros grandes nomes nesta noite longa foram: Joaquin Moeckel, José Joaquim Pires e Manuel Pires – durante muitos anos ligados à praça da Nazaré -, Simão Comenda, João Patinhas, José Jorge Pereira, Simão das Neves (picador), ou Pedro Marques, um aficionado fiel local, ainda a par de meios de comunicação social tais como o jornal Olé, a rádio Cister e os Ecos do Burladero, uma edição do Correio do Ribatejo, sem terem ficado esquecidas as autarquias, neste ano passado brilhando a de Beja.
Mais do que uma noite mais de troféus no defeso, esta foi uma noite que aponta para um outro nível de entregas de prémios, em que só falta ver como se posicionará para as atribuições de 2017. Mas ainda falta algum tempo até lá!
Sílvia Del Quema
Fotografia: Armando Alves
