Ninguém pode duvidar que, na corrida do Colete Encarnado, foi Padilha quem fez a tarde de Vila Franca de Xira, porém a tarde não foi de Padilha. Tendo havido um triunfo claro na sua segunda lide, na primeira, que não lhe deu direito a mais do que ovação, ficou aquém do que o poderoso ídolo do toureio a pé nacional tem para dar às arenas. Foi no seu segundo Falé Filipe que se destacou e onde ganhou todo o mérito de volta ao ruedo vila-franquense, mas a Palha Blanco foi generosa na segunda volta, num acto nobre e que, me parece, de alegria por poder ter ali Juan José Padilla.
No entanto, a César o que é de César, e os louros não foram distribuídos de uma forma justa. As actuações de João Ribeiro Telles e de António João Ferreira tiveram também muito mérito. A de Tó Jó foi muito bem honrada com a saída em ombros, mas a de Ginja parece ter sido esquecida. Frente aos dois touros que lidou, de ferro David Ribeiro Telles, o cavaleiro coruchense esteve fortíssimo, com grande nível na cravagem e a sacar tudo o que se podia aos seus oponentes. Contudo, a sensação que me deu foi a de que ficou na sombra d’el Pirata. As pessoas encheram quase até ao ‘esgotado’ a praça, porque queriam ver Padilla. Tó Jó já aparecia sob essa pesada sombra, mas como lidou nos mesmos terrenos apeados e com grande destreza, sobretudo no seu primeiro Falé Filipe da tarde, foi-lhe esquecida a voltareta no segundo toiro e ficaram os bons momentos, suficientes para abrir a porta grande a par de Padilha. Mas e Ginja? Que deu duas voltas e não saíu em ombros? Isso não consegui entender, por mais que tenha adorado o toureio maduro e fluído de Tó Jó e que seja uma admiradora incondicional de Padilha e do seu brilhantismo.
Victor Mendes foi homenageado pelos 35 anos da sua alternativa e não esteve esquecido nos brindes de ambos diestros e do ginete.
No seu primeiro touro, Padilha teve um oponente que se foi abaixo muito cedo, refugiando-se da lide e não permitindo a volta que foi autorizada pelo director de corrida , mas não acatada – e muito bem – pelo Maestro. Encantou a praça ao receber no capote, de joelhos, por faroles, mas na muleta não encontrou toiro e apesar de ter tentado seriamente ligar a lide, não conseguiu. Nas bandarilhas esteve hesitante, deixando um violino de bom tom a fechar. Com o seu segundo touro, foi de joelhos que sacou mais emoção, mas esteve forte do capote até matar, bandarilhando com justeza e sacando naturales de grande nível.
António João Ferreira recebeu o seu oponente nos médios, tendo-se destacado com este primeiro touro no capote, mas brilhado de facto na muleta. Já no segundo touro que lhe coube em sorte, esteve outra vez muito forte no capote e na flanela vermelha encontrou um oponente complicado, tendo dado toda a sua toreria para conseguir ultrapassar as dificuldades da faena.
Há que salientar o destaque merecido nas bandarilhas pelos elementos da quadrilha de Tó Jó, João Ferreira e Pedro Paulino.
O ginete da tarde, coube-lhe um primeiro touro que permitiu a lide, sem dar direito a grandes momentos. Mas com o segundo touro da ganadaria coruchense, João Ribeiro Telles Júnior teve mais oportunidades e não as deixou escapar, pondo de pé a Palha Blanco. O cavaleiro da Torrinha mostrou-nos ferros de alto a baixo de grande nível e impressionou na força que toda a lide teve
As pegas estiveram a cargo dos forcados da casa e o primeiro da tarde foi Vasco Pereira que consumou sem complicações; já o mesmo não aconteceu no último touro, pegado à terceira tentativa por Francisco Faria.
Sílvia Del Quema
