O triunfo, às vezes, é tão difícil de atribuir, e esta tarde que abriu a série de três corridas de Verão na Figueira da Foz, foi uma dessas tardes.
Desde o belissimo curro para toureio a pé de Manuel Veiga, passando por António João Ferreira e Manuel Dias Gomes que usufruiram e deram a desfrutar tanto, ao pouco público que compôs o Coliseu Figueirense; até aos cavaleiros,que tiveram para lidar touros Casa Prudêncio, pai e filho Rouxinol. As pegas foram bem executadas pelo Grupo de Forcados Amadores de Montemor.
Nos próximos dias 11 e 23 de Agosto realizar-se-ão as próximas corridas na Figueira, desta feita, nocturnas, a que se segue será mesmo televisionada.
Abriram praça pai e filho Rouxinol numa lide a duo que animou os tendidos, mas foi nas lides a solo que ambos cavaleiros mostraram, de facto o seu valor. Luís Rouxinol deu-nos o toureio de seu crivo, onde a brega é excitante – em especial com os ladeios – e as sortes foram rematadas de forma completa e entusiasmante. Além do ferro de palmo, cravou dois pares de bandarilhas, com o segundo particularmente bem executado.
Rouxinol Júnior segue no estado de graça da alternativa tomada na quinta-feira passada no Campo Pequeno e esteve muito por cima do touro, algo complicado. Mostra que filho de peixe sabe nadar, e esteve corretíssimo na cravagem.
O grupo de Montemor esteve forte no seu registo, o primeiro forcado a ir à cara foi Manuel Vacas de Carvalho, que teve uma excelentíssima pega ao segundo intento. Seguiu-se Manuel Ramalho e Vasco Carolino, ambos a condumarem pegas à primeira tentativa.
Os matadores estiveram num verdadeiro mano-a-mano, muito dificultado, nos dois primeiros touros, pelas rajadas de vento que se abatiam na arena regularmente. Mas nas segundas lides, ambos puderam beneficiar do apaziguamento da ventania, e foi aí que o público (escasso) foi brindado com bons momentos de capote dos dois espadas. Tójó abriu o primeiro tércio com dois faroletes e na muleta manteve uma no ligação com um touro duro, mas a quem sacou muitos bons muletazos.
Manuel Dias Gomes também nos brindou com rodilhas, mas já na muleta, contudo, pôde-se apreciar de capote a elegância e transmissão do seu toureio. Mas foi mesmo na flanela rubra que tivemos o toureiro de mais a mais. Leu bem o touro e limou as suas arestas toda a lide, apriveitando para trazer emoção, tanto em passes justos como em diversos desplantes orgulhosos.
Sagrou-se, assim uma boa tarde de touros, em que se houvesse uma balança para pesar os aspectos positivos e negativos, certamente penderia sempre para os primeiros, de tantos que foram. Um deles, sem sombra de dúvida, a homenagem a três grandes figuras do nosso toureio: Mário Coelho, Ricardo Chibanga e José Júlio, todos presentes na arena e com diversos brindes às suas pessoas, uma homagem devida e bem escolhida pela empresa.
Sérgio Manuel Silva sagrou-se bandarilheiro nesta tarde, o que foi definitivamente mais um ponto positivo da tarde de touros, pois deu-nos no acto da sua alternativa um excelente par de bandarilhas.
Sílvia del Quema
