por Manuel Peralta.
Algumas palavras de reflexão sobre a ética num grupo de forcados, que constam no começo do livro JOÃO PATINHAS – UM FORCADO, cuja 1ª. edição foi publicada em Novembro de 2008:
“(…) Com a evolução dos grupos de forcados, a partir do primeiro quartel do século XX, a ética foi ganhando importância no forcado amador.
Enquanto a moral se refere aos comportamentos concretos das pessoas, a ética está associada e corresponde à reflexão, na forma de juízo de valor, sobre esses comportamentos.
Quem está habituado a ver e apreciar a corrida à portuguesa, sabe o que pode esperar do grupo ou grupos que se apresentam em praça e pode rapidamente verificar pela sua postura se existe ou não algum conceito de ética e saber estar. E isso não tem tanto a ver só com a atitude em frente dos toiros, mas com tudo o que se relaciona com a maneira mais ou menos correcta de estar dentro e fora da praça, na forma como se apresentam na presença e em contacto com o público.
Na atitude de respeito pelo cabo.
Também na atitude e respeito de todos os elementos dentro do grupo. Também nas atitudes com os outros grupos.
Também, e muito, em frente ao toiro.
O conceito de ética deverá estar sempre presente e será esta que lhe confere as dimensões de credibilidade.
Um grupo de forcados é liderado pelo cabo. Liderança e ética são conceitos que não devem estar separados. Liderar um grupo de forcados implica dirigir e decidir e ética tem também a ver com decidir, em diversas situações, sobre o que está certo – ou mais certo – e sobre o que é mais consistente com os valores do grupo de forcados e do forcado como elemento desse grupo.
No grupo de forcados o cabo tem uma posição hierárquica de topo e é ele que deve deter o poder em regime de exclusividade. Só pode ser um a mandar. Mas esse poder deve ir para além do aspecto formal dessa posição e traduzir-se numa relação moral com os elementos que constituem o grupo, onde a amizade será dominante (…)”
