Foi com grande ambiente que se passou a segunda corrida da Feira de Abiúl, uma mista que contou com Filipe Gonçalves, João Ribeiro Telles e o matador Escribano, em cartel, que se depararam com um bem apresentado curro de Murteira Grave. Sairam seis touros com trapio, boa cara, um pouco desiguais na prestação, mas foram touros-touros, que pediram os papéis a quem os lidou e, sobretudo, a quem os pegou. O grupo da Tertúlia Terceirense teve fortes dificuldades nas pegas, devido aos fortes derrotes dos touros e muita pata com que saíam para os forcados.
Filipe Gonçalves abriu a tarde com um touro complicado, em que conseguiu uma brega e colocação de grande nível, entusiasmando a praça e cravando violinos arriscados entre tábuas. A pega deste touro foi consumada à primeira por João de Ávila.
O seu segundo touro foi muito melhor e aproveitou-o ao máximo, com o toureio que lhe vai na alma, alegre e comunicativo, cravando bem dos compridos aos curtos, mas destacando-se o último ferro cravado com tanto mérito que decidiu partilhá-lo com a sua montada dessa cravagem trazendo-a para dar volta à arena. Esta pega foi das complicadas, foi para a cara Francisco Matos que na segunda tentativa ficou inanimado, sendo dobrado por João Silva que pegou à quarta tentativa.
João Ribeiro Telles Júnior esteve com a sorte dividida entre um primeiro touro que nunca se focou no cavaleiro e um segundo que foi o melhor da tarde. Com o primeiro, desenvolveu uma lide agradável para as dificuldades de tirar a atenção do touro da trincheira, tendo fechado a lide com dois emocionantes fertis de palmo. Já no seu segundo touro, o ginete sa Torrinha teve uma excelente matéria-prima e soube aproveitá-la. Foi uma lide de cravagem espectacular, fechada a violinos, dois, sendo de melhor nota a cravagem do primeiro, mas ambos a cerrarem bem uma grande lide.
O seu primeiro touro foi pegado à terceira e o forcado Luís Cunha recusou dar a volta. A pega do último touro para cavalo foi consumada por Tomás Ortiz ao primeiro intento.
Foi neste touro que o ganadero deu volta à praça.
Manuel Escribano mostrou-nos um toureio forte, que conseguiu ultrapassar um duro primeiro touro, em especial com a muleta. Mas foi no seu segundo que tivemos excelência na lide apeada, recebeu de farolete no capote, ajoelhou na muleta, bandarilhou bem, e na flanela deu-nos uma lide em redondo que só não apreciou quem não a sabia entender.
Abiúl mantém a tradição de grande ambiente taurino, mais focado no toureio a cavalo, mas a receber bem a arte a pé.
Silvia del Quema
