Enquanto assistia à corrida de Puerto de Santa Maria não fazia a menor ideia que podia ser a última vez que via José António Morante de traje de luzes, mas durante as faenas do seu mano-a-mano com El Juli, era óbvio que Morante de la Puebla não estava em si. Somando a outras actuações que lhe vi este ano, em que a sorte com os touros foi escassa, observei a sua entrega a esgotar-se. E o seu público a afastar-se dele.
Durante o último touro de Juli, que teve uma lide extraordinária, mas em que o troféu de rabo foi excessivo. Morante tinha decidido num ímpeto deixar as arenas. Não cortou coleta, e não acredito que não volte, porque como ele disse há uns tempos, para ele “tourear é uma doença”, pelo que o tamanho dos touros ou qualquer outra justificação que no final da corrida de Puerto tenha dado, não será suficiente para criar anticorpos a tal doença. Pelo menos não mais do que por um ano.
O certo é que o Maestro sevilhano ofuscou as cinco orelhas e um rabo de Juli neste anúncio. Teve a sua luz de ribalta da forma mais triste para quem, como eu, sabe que Morante de la Puebla tem muito mais para dar às arenas. E digo às arenas pois pelo que percebo dele, à tauromaquia continuará a dar.
Sílvia del Quema
