José Palha foi das figuras mais marcantes do século XX na tauromaquia portuguesa, pela sua presença. Um puro Marialva em pleno uso da palavra limpa de qualquer coeciente de negatividade que a polítia actual lhe pode querer dar. O seu súbito desaparecimento deixou uma marca e foi em Vila Franca de Xira, na Palha Blanco, que se homenageou este Homem da tauromaquia. João Moura, António Ribeiro Telles, Diego Ventura, Filipe Gonçalves, Duarte Pinto e Francisco Palha, formaram o cartel, que se defrontou com um curro da Casa Prudêncio, estando as pegas a cargo dos grupos de Santarém e de Vila Franca de Xira. A Praça esteve bem composta, com quase meia casa, com a receita deste Festival de homenagem a reverter inteiramente para a Associação Salvador.
O triunfo coube indubitavelmente a Diego Ventura, que esteve magnífico desde a saída do seu touro em praça. Os ferros compridos foram de nota alta, recebendo em curto e sacando em redondo a pata com que o oponente saíu. Passou os curtos a subir de mais a mais e fechou com uma das estrelas da sua quadra, o Dólar, a quem tirou a cabeçada e rédeas, pregando um par de bandarilhas nestas arriscadas condições.
Esta pega foi efectuada por Santarém, à primeira tentativa, indo à cara Fernando Montoya. Tendo a praça reconhecido o valor do ginete com duas voltas para Diego e volta ao ganadero.
João Moura, que abriu praça, teve uma lide de grande alcance, sacando bem dos seus galões, estando bem na cravagem tanto de compridos como curtos, com um Prudêncio que foi colaborante. Fechou a lide em grande, com ferros de palmo, sendo o último menos brilhante que o penúltimo.
A pega foi efectuada ao terceiro intento por David Inácio, de Santarém.
António Ribeiro Telles foi sacar o seu touro à porta gaiola, imprimindo o classicismo que o caracteriza com muito brio, nesta segunda actuação da tarde, onde a clareza da cravagem dos curtos, de alto a baixo, foi certamente o destaque.
Este Prudêncio foi pegado pelo grupo de Vila Franca, estando na cara Pedro Silva, que se fechou à primeira tentativa.
Filipe Gonçalves também teve uma forte actuação, com realce para as suas excelentes batidas ao pitón contrário que cativaram a Palha Blanco, numa actuação que poderia ter ficado na sombra da anterior, de Diego Ventura, e que, apesar disso, se destacou pela positiva, sendo muito bem fechada com um bonito par de bandarilhas.
Quem foi à cara do touro, pelo Grupo da casa, foi Guilherme Dotti, que efectivou a pega ao primeiro intento.
Duarte Pinto foi outro dos cavaleiros que sobressaiu nesta tarde homenagem na Palha Blanco, sendo a ferragem comprida cravada com genica e exactidão, enquanto nos curtos esteve por cima do seu oponente e uma excelente brega que cativou os tendidos.
O touro ficou pegado ao primeiro intento por António Taurino, do grupo de Santarém.
Quem teve menos sorte e lhe coube o único touro mau desta tarde, foi Francisco Palha, que, contudo, conseguiu sacar ao manso – que saltou tábuas, tal era o empenho em deixar a arena – o suficiente para mostrar a sua grande toreria.
Desta feita a pega coube a Vila Franca e ficou fechada ao primeiro intento, por Diogo Conde.
Foi uma importante e muito agradável tarde de touros, emotiva em particular para a família do homenageado, que recebeu a maioria dos brindes deste festival.
Sílvia Del Quema
Fotos: Mónica mendes
