Não é de todo propósito desta crónica detalhar e relatar e opinar Olivenza nem tão pouco a sua história, penso que todos a sabem, caso contrário, existe sempre o amigo “Google”.
Depois de saborear a abertura da temporada em Mourão, lá vamos nós inaugurar a de nuestros hermanos, como sempre, a Olivenza.
Mas entretanto, partiram dois Grandes…
Comoveu-me como a todos, a partida deles. Algumas pessoas são mais evoluídas do que outras, não há nada de vergonhoso nisto, e deviam repetir-se muitas vezes na existência – e eles eram definitivamente destas pessoas.
Vivemos numa era com excesso de “más-línguas”, e de faltas de respeito, e sem verdade nenhuma. Por tudo e por nada se lança uma laracha. Será a politesse du desespoir de épocas menos calmas, é certo, mas, ao mesmo tempo, parece perder-se o verdadeiro sentido da verdade. É como a internet, dispara informação para todos os lados, mas não deixa ninguém mais informado, antes pelo contrário. A “má-língua” é uma muleta de sobrevivência e de sedução social, dizemos mal para pertencer, para parecer bem, chuta-se para adoçar e lançar perfume – mas não se tornou polida, sofisticada ou evoluída. A maior parte das vezes é só parva. E ao lado dos paninhos quentes do costume, a coisa não melhora.
E sim, é muito mais fácil não dizer nada ou só falar de banalidades, de vídeos muito engraçados, infantilizar a vida para suavizá-la. Até aqui tudo bem, descartar para desresponsabilizar, nem que seja uma opinião. Mas o pior mesmo é que os tempos modernos estão a matar o “politicamente correcto”, a maravilha de não se poder ofender de forma gratuita e agressiva e só má.
E eles quereriam que apenas pudéssemos apreciar este mundo como é, apenas belo e sem parvoíces.
Mas depois lembrei-me que vem aí Olivenza, com a sua luz imensa, e não é só esta aurora, é a mensagem que tem imensa pinta – isto é que é assunto de peso, e um mundo para fazer e virar do avesso. Não há nada mais inspirador, e que nos ponha mais no nosso pequeno lugar, que o talento de pessoas bonitas em terras bonitas!
Desde o Cartaz deste ano com imagem criada pela Princesa Sophie von Hanau (não só é très chic, como uma honra!), lá está, fotógrafa do mundo, mas os anos que viveu em Espanha, fez com que se lhe “entranhasse” toda esta “taurinidade”, e ainda bem!
Por muito frio que esteja, por muito desconfortável que seja, é impressionante a quantidade de pessoas que movimenta!
E tudo gira em redor da Praça de Toros, reconhecida e merecedora de grande prestígio. A Rainha Isabel II deu Ordem Real para a sua construção em Janeiro de 1857, mas só é conhecido um cartel de 29 de Junho de 1868, pelo que se considera esta como a sua data de inauguração. Neste mesmo dia, Francisco Arjona Guillén “Cuchares”, deu alternativa ao toureiro de Badajoz, Juan Cuervo.
“Las muchachas de Olivenza no son como las demás, porque son hijas de España y nietas de Portugal”. Há melhor maneira de definir a singularidade desta terra raiana, que com este excerto de uma jota extremeña. E o maravilhoso nisto tudo, é que passados 5 séculos de “Portugalidade”, terminados em 1801, os sinais sejam tão evidentes quanto entranhados. Seja nas ruas da zona histórica duplamente identificadas em Português e Castelhano, seja na gastronomia extremenho-alentejana, seja nos apelidos, nas duplas nacionalidades agora concedidas, é uma herança de uma importância extrema, confere um carácter “bi-cultural” único!
Gosto tanto de uma boa terra raiana…
E que dizer de toda a história de intercâmbios taurinos?
E este ano comemora-se a 28º edição da Feira Taurina, e mais, El Juli por lá comemora o seu 20º ano de alternativa! (Sejamos “Julistas” ou não, há muito mérito nisto).
Penso que em 1967, por lá brilhou o Maestro Mário Coelho, que bonito deve ter sido… e tantos outros…
En una tarde de toros puedes morir de gusto o de susto. Disse Salvador Dalí
E Olivenza é nossa, dos taurinos!

