Amanhã arranca a temporada 2012 em Mourão.
Cartel composto pelos cavaleiros Brito Paes, Manuel Lupi e Marcelo Mendes. Actuam ainda os diestros Davilla Miura, Javier Solis e Cuqui. Sairão á arena astados das ganadarias de Murteira Grave e Luis Rocha que serão pegados pelo Grupo de Forcados de S. Manços.
Fique a conhecer um pouco da história desta castiça praça de toiros, num texto que reproduzimos com a devida vénia da revista Novo Burladero N.º 207 de Janeiro de 2006
A praça de toiros de Mourão foi inaugurada no dia 23 de Abril de 1922, com um cartel onde pontificava o matador de toiros espanhol Júlio Conde «El Emeritense», e o cavaleiro amador Inácio Galego. Anunciava-se ainda «um valente e destemido grupo de forcados», e os bandarilheiros amadores José Agostinho Manta, Agostinho Tubal Carvalho, Carlos Ravasco, José Augusto Roque e Francisco Fernandes. Os oito toiros lidados ostentavam o ferro do Dr.º Libanio Esquivel. O programa inaugural anunciava que o matador Júlio Conde, estoquearia no final do festejo um «bravissimo toiro de cinco anos», gentilmente oferecido pela senhora D. Hermínia Ramalho Esquivel, a Nossa Senhora das Candeias, para cujos cofres revertia o produto da venda da sua carne. Curiosamente, Júlio Conde, o matador que inaugurou a praça de Mourão, passados anos foi maioral da ganadaria do Eng.º Joaquim Murteira Grave, vivendo na Galeana até ao fim dos seus dias.
Neste ano de 1922, e com motivo da inauguração da praça de toiros, as festas em honra de N.ª Senhora das Candeias foram transferidas para Abril, para que a festa fosse só uma.
A praça, mandada construir num descampado dos subúrbios da vila pelo lavrador e ganadero mouranense Dr. Libânio Esquivél, tem capacidade para cerca de 2000 pessoas, possui um primeiro anel com sete filas de bancadas, com lugares de sombra e sol, e num plano superior, sob arcaria em todo o seu perímetro, camarotes na sombra e lugares de peão no sol.
Actualmente não possui trincheira (teve-a no seus inícios de vida), contando com vários burladeros distribuídos ao longo no muro que limita a sua arena de reduzidas dimensões, o que lhe confere um casticismo peculiar e muito taurino.
Até 1974, realizaram-se esporadicamente corridas de toiros nesta arena. O festejo tradicional tinha lugar no dia 1 de Fevereiro, uma «vara larga» por ocasião das festas. Por vezes, também se davam espectáculos na Feira de Maio.
Só depois do 25 de Abril a actividade taurina se intensificou em Mourão, muito em especial por iniciativa do Eng.º Joaquim Murteira Grave, que começou a organizar festivais a favor dos bombeiros locais, trazendo à castiça praça de Mourão vários toureiros de nomeada, tais como Ruiz Miguel, Tomás Campuzano, Victor Mendes e Manili. Quando esses festejos se deixaram de dar, começaram a tomar incremento os festivais que há cerca de 18 anos, começaram a ser organizados pela Junta de Freguesia de Mourão, na data de 1 de Fevereiro, montados com a colaboração do matador de toiros Rui Bento Vsaquez, que na arena mouranense actuou inúmeras vezes. Daí para cá passaram por Mourão, matadores como Rafael Camino, Óscar Higares, António Ferrera, Júlio Aparício, Finito de Cordo e Alejandro Talavante, que junto aos Portugueses António de Portugal, Eduardo Oliveira e José Luís Gonçalves, deram excelentes tardes na castiça praça alentejana.
A par de corridas e novilhadas que se foram montando na Feira de Maio, há também a realçar os quatro festejos de promoção para jovens toureiros montados em anos seguidos pelo aficionado local, João rafael, nos meses de verão, pela noite, o primeiro dos quais a 28 de Agosto de 1998, data de inauguração da instalação eléctrica da praça. Por estes espe´ctáculos passaram os novilheiros Ricardo Pedro, António João Ferreira, «Procuna», «Velásquez», Rodolfo Tomás, Martin Antequera, Nuno Casquinha, Oscar Rosmano (filho), «Belmonte», «morenito de Portugal» e Gonçalo Veloso entre outros.
Outra iniciativa que teve como palco a praça de toiros de Mourão (e outras do concelho), foi a dos «convívios taurinos», tentas públicas organizadas no defeso entre 1992 e 2002, por uma comissão de aficionados da região que, sempre com bezerras cedidas pelo Eng.º Luís Rocha, faziam coincidir matadores e novilheiros com vários amadores, em ambiente d grande aficion e convívio.
De registar ainda, como facto assinalável ocorrido na arena da praça de toiros de Mourão, a estocada com que António de Portugal matou um toiro num festejo ocorrido na segunda metade da década de setenta.
A praça de toiros de Mourão é actualmente propriedade do Abrigo Infabtil, instituição à qual foi doada por D. Hermínia Esquivel, irmã do homem que fez erguer, o Dr.º Libânio Esquivel.
