“Era uma vez uma estória, a estória de um defeso dos mais duros que há memória, tal foi a quantidade de Grandes que nos arrancaram do peito”.
Podia ser o início de uma tragédia: “A tragédia é uma forma dramática ou peça de teatro, em geral solene, cujo fim é excitar o terror ou a piedade, baseada no percurso e no destino do protagonista ou herói, que termina, quase sempre, envolvido num acontecimento funesto.”
Logo eu que não gosto nada de tragédias, diz que faz parte, mas tenho cá para mim que passaríamos todos melhor por este fio que é a vida, sem elas.
E cada vez que desaparece um sonhador, um idealista, um poeta, um valente, uma pessoa do bem e do belo, o mundo fica mesmo mais triste. E mais só. Sobram as palavras… E fica a certeza que precisávamos de mais como eles!
Entretanto, o sector taurino – empresários, ganaderos, apoderados e a maioria dos toureiros – como que dormita num género de sono invernal, longe do touro e das praças. Uns contando triunfos da época que passou, outros nem tanto, outros a fazer contas de bilheteiras, algumas insatisfatórias, outros a questionar o porquê de festejos que não despertaram o interesse do público, cartéis sonhados versus conta bancária vazia. Outros a alinhavar e organizar novas empresas, projectos, apoderados, equipas, etc..
Temporada sofrida de corpo e alma para alguns, quando o objectivo comum a todos nós deveria só ser, encher praças, manter e trazer aficionados, e sim, inovar, digo eu que não percebo nada de nada.
Enquanto alguns taurinos descansam, poucos toureiros viajam rumo às Américas, outros desenvolvem um trabalho incansável para que a tauromaquia continue a ser uma ilusão carregada de esperança!
Como não falar das Tertúlias e similares?
Sou fervorosa apoiante de algumas, e fico extremamente feliz com o ressurgimento de algumas com história e tradição por conta de pessoas maiores que o resto, não tem preço a “agitação” que conseguem trazer a estes defesos. Colóquios, jantares, um sem fim de eventos.
E são necessárias, e fundamentais para a “manutenção da Festa”!
Uma das preocupações de alguns dos “grandes” tertulianos, é, como me disseram há pouco tempo, a falta crescente de gente nova a assistir/ participar nos seus eventos. Ainda que haja quem não concorde com esta mesma preocupação, se mais do que “um par” de pessoas a tem, é porque vale a pena falar e pensar no assunto.
Ora, como se traz gente nova para estas coisas? Será a evolução natural? Não quero acreditar… será falta de incentivo? Não faço ideia… A falta de contacto com pessoas mais seniores que eles é gritante e traduz-se numa escassez dos valores mais “tradicionais”, como se isso fosse impeditivo de evoluções e os tornasse mais retrógrados…
Até nas redes sociais fogem dos mais velhos que eles, há sempre uma mais recente e consequentemente mais in, e que não esteja minada de “pais” e avós”.
Que é necessário para que deixem os tablets e smartphones para aprenderem a Festa, sim, aprender basta, depois amá-la torna-se tão fácil… Bem sei que se publicasse vídeos com legendas cómicas no Instagram em vez de escrever crónicas, teria toda a atenção desta faixa etária.
Sei que é cada vez mais difícil que as pessoas trabalhem para um bem maior.
Na verdade, encontram-se mais voluntários para uma selfie num penhasco que possa ser devidamente publicada nas redes socias, do que para defender o que é nosso, trabalhar para a mesma coisa de forma isenta e gratuita, nem mesmo para uma conversa franca ou profunda ou interessante sobre coisas que verdadeiramente importam, a Cultura Taurina.
Valham-nos-os-deuses! Como encher a Festa de gente nova?
Não faço ideia… Mas sei que tem que ser possível! Deixei de acreditar em contos de fadas, mas ainda acredito que os príncipes vestem azul e que as princesas humanizam os seus animais de estimação apenas e só no sítio certo, nos filmes de animação claro está.
E ainda acredito profundamente na magia e beleza das pessoas, em retratos poéticos e existencialistas, neste mundo taurino, etéreo, volátil, carregado de esperança e energia estratosférica!
E Mourão está aí para inaugurar a temporada, e tenho a certeza que os Grandes nos querem ver todos juntos a celebrar “isto” que é só nosso!

