A maior praça do País, que nos últimos anos – basicamente desde a criação da área de exposições longe da arena, o CNEMA – parecia amaldiçoada. Pois na primeira corrida de 2019 quebrou-se o feitiço, uma praça que nunca conseguia ganhar moldura humana, com o primeiro cartel desta temporada, composto por João Moura, António Ribeiro Telles e Francisco Palha, esteve a mais de dois quartos de casa.
Se não tivesse havido um bom espectáculo já teria sido magnífico ir só para ver tanta gente na Celestino Graça, apelidada agora de Praça Maior. Teria sido também excelente viver o ambiente nos corredores da praça, no museu dos forcados de Santarém, a ver as ‘sevilhanas’ actuarem ou os miúdos a brincarem com torinhas e mini-capotes e muletitas.
Tudo isto faz parte da Festa, acrescentando ainda o prazer que foi ver uma dúzia de anti-taurinos para milhares de aficionados. É fabuloso que os políticos ainda não se tenham apercebido que não há eleitorado para conquistarem junto do nicho que são os anti-taurinos, a prova terá de começar a ser apresentada pela comunicação social, pelo que sugiro que se inicie uma campanha nas redes sociais a fotografar as pessoas dentro das praças e as manifestações que estão do lado de fora. E que se faça ‘tag’ chegar aos políticos estas imagens, pode ser que assim entendam a força que somos.
Mas na arena a corrida também foi ‘maior’, a João Moura couberam-lhe as reses mais complicadas, mas conseguiu ultrapassar as dificuldades que o Cunhal Patrício e o Veiga Teixeira (este último bastante feio de cara, com uma córnea muito aberta e gritantemente bisco à direita) lhe colocaram à lide, tendo procurado sortes de praça a praça para impactar e conseguindo cravagens de gabarito.
Contudo, António Ribeiro Telles e Francisco Palha conseguiram conquistar a tarde. Sobretudo o jovem Palha.
O primeiro touro de Ribeiro Telles era manso e foi a pulso que o cavaleiro da Torrinha ficou por cima do seu oponente, com cravagens ao estribo impressionantes e abrindo à porta gaiola. No seu segundo, o ginete quis mostrar ao portentoso tendido de Santarém aquilo que não pode no primeiro, e assim tivemos uma extraordinária lide, ainda por cima perante o melhor da tarde, que foi ovacionado e deu volta ao ganadero.
Francisco Palha esteve no nível extraordinário em que o encontrámos a temporada passada e deu-nos de tudo em ambas lides, com um toureio frontal e cravagem ao estribo, transmitindo emoção e ligando-se quer aos oponentes, quer à bancada!
Para os forcados, a tarde foi dura, estando dois grandes grupos em praça, Santarém e Vila Franca de Xira, e poucos se fecharam à primeira: Fernando Montoya saiu da cara do touro com um derrote e caíu mal, tendo saído de maca e foi dobrado por Ruben Giovetti, consumando à primeira; Vasco Pereira pegou ao segundo intento, e, a seguir, António Taurino também; Rui Godinho teve uma pega boa em que se fechou à primeira; Francisco Graciosa conseguiu também ao primeiro intento; e Francisco Faria fechou a tarde com três tentativas.
Sílvia Del Quema
