Após termos lançado o desafio aos aficionados para perguntarem o que quisessem a Paulo Pessoa de Carvalho, aqui deixamos o resultado desta iniciativa.
1 – A APET foi criada para unir a classe empresarial, mas parece que tal não aconteceu até aos dias de hoje, porquê?
A APET foi naturalmente criada para unir, mas acima de tudo profissionalizar a classe empresarial.
Porque é que tal não aconteceu? Esta pergunta merece para interlúdio e como resposta metafórica o provérbio que diz: “Roma e Pavia, não se fizeram num dia”.
Na verdade as coisas não aconteceram, mas estão acontecendo. Ou seja, devagar, com contratempos e dificuldades, com muito ferro malhado, com algumas desilusões contrapondo com algumas (menos) alegrias, a APET vai muito devagar mas vai no caminho certo e da união.
Às vezes parece que se dá um passo em frente e três atrás, mas acreditem que é mais forte o que se conquista do que aquilo que se perde. Se me perguntarem: A união total para quando? Não sei responder, nem tão pouco sei se um dia chegará, mas sei que devagar vamos consolidando a classe e encontrando pontos comuns estratégicos e universais aos nossos objetivos, que nos permitirão ser mais fortes e unidos, não no particular, mas no estratégico e no comum.
Uma associação não deve nem pode servir interesses individuais, tem que servir todos os seus associados e é nesses pontos estratégicos comuns, que temos que nos focar, sendo que às vezes e até se perceber isso na plenitude, demora o seu tempo. Estamos no caminho certo e estou convencido que continuando a insistir e conseguindo a APET de alguma forma ter iniciativas de liderança que ajudem a tauromaquia no seu todo a entrar no verdadeiro caminho da profissionalização, isso acabará inevitavelmente por trazer os mais renitentes e sépticos a acreditar e a perceber que só com a união sobreviveremos.
2 – Quais os princípios pelo qual se rege a APET?
A APET tem definido nos seus estatutos, quais os princípios pelos quais se devem reger os seus associados, sendo que a verdadeira promoção da festa está na base de tudo.
A APET é constituída com a finalidade de:
a) Defender e preservar a autenticidade da “Festa Brava”;
b) Defender, preservar e promover os espetáculos tauromáquicos e a atividade de empresário tauromáquico;
c) Prestar assessoria a todos os associados e organismos oficiais em relação a questões que afetem, direta ou indiretamente, a “Festa Brava”;
d) Exigir o cumprimento dos presentes Estatutos como meio de garantia dos fins a que se propõe;
e) Intervir junto dos organismos oficiais competentes tanto na redação como no cumprimento do Regulamento do Espetáculo Tauromáquico, bem como em outros diplomas ou assuntos relacionados com o espetáculo tauromáquico e a atividade de empresário tauromáquico;
f) Estabelecer relações de intercâmbio com instituições nacionais, estrangeiras e internacionais, públicas ou privadas, na prossecução de interesses comuns ou convergentes;
g) Na defesa dos interesses gerais que lhe estão encomendados, a APET poderá levar a cabo atividades privadas, tais como iniciativas de carácter cultural ou científico e organização de festejos taurinos;
h) Qualquer outra missão que possa considerar-se de interesse para a APET ou dos seus associados.
Estes são estatutariamente os nossos princípios, o objeto da associação
3 – Como é possível a APET não conseguir sequer que os seus associados não se atropelem, organizando corridas de toiros na mesma data e à mesma hora com as suas praças de toiros separadas apenas por “meia dúzia de quilómetros”.
O anos passado tal aconteceu por mais de uma vez e este ano ainda agora a temporada está no início e já está a acontecer o mesmo?
Ora aqui está uma pergunta para a qual gostaria de ter a resposta na ponta da língua e não consigo ter …
Por vezes escasseia o bom senso, a tal falta de profissionalismo de que falo também não ajuda, pois sem qualquer má intenção mas esquecendo-se que não vivem numa ilha isolados, alguns empresários ou algumas organizações têm ideias que tentam por em pratica e esquecem-se de por exemplo ir saber se para o mesmo dia e mesma hora está marcado algum espetáculo. Depois as coisas vão andando, inflamadas por gente que gosta de espalhar a confusão, de repente e do nada, sai uma grande tempestade e é difícil apaziguar as coisas. Isto para dizer, que muitas vezes por desorganização e por falta de profissionalismo, acontecem disparates que degeneram no que atrás refere. Claro que também já terão acontecido algumas situações com consciência do mal que estariam a causar, mas os empresários são humanos e também erram, o que esperamos vivamente é que a pouco e pouco, estas situações se tendam a dissipar.
4- O senhor Paulo Pessoa está demissionário, axa que se vai encontrar alguém que o queira substituir, vai o senhor Paulo voltar a concorrer ou a APET está condenada?
Neste momento não sei de verdade qual será o futuro da APET nem o que irei fazer, mas sei que por episódios muito recentes e posteriores à nossa Assembleia Geral, que há vontade de que as coisas ganhem o tal rumo de maior profissionalismo e união que é vital para a sobrevivência da festa de toiros em Portugal! Por isso digo que a APET não está condenada e que vai ter um papel cada vez mais preponderante no rumo da festa.
5 – A APET tem futuro ou vai ser mais uma das várias associações com o futuro incerto?
Respondi mais ou menos na pergunta anterior, a APET vai ter futuro (assim o espero convictamente) e quanto mais certo for o seu futuro, mais certo será o futuro da festa de toiros no nosso país!
6 – QUAL A OPINIAO/PERSPECTIVA SOBRE O (DES)EQUILIBRIO ENTRE PREÇO DAS ENTRADAS E CUSTO DO ESPECTACULO E CONSEQUENTE REFLEXAO NO RESULTADO FINAL DA CORRIDA?
O que acho é que o preço do espetáculo terá que descer e os bilhetes também. Este é um espetáculo que se paga com mais de meia casa vendida em 85% das praças de toiros e das corridas que se dão em Portugal, o que torna sempre de elevado risco qualquer organização. Não sei bem como se conseguirá melhorar este rácio, mas sei que este ano em particular, terá que haver um esforço repartido por todos os intervenientes. O resultado final espero que seja positivo, pois apenas assim poderá haver futuro …
7- Porque razão os empresários tendem a ser apoderados e representantes de ganadarias?
Não acha que isso é prejudicial para a Festa?
Sinceramente acho que sim, eu já estive nesse papel e abandonei. Por vezes corremos o risco de entrar numa promiscuidade que não é positiva para ninguém, para haver total isenção nas decisões, é aconselhável para a festa de toiros que as águas se separem, pois de outra forma há sempre condicionalismos na montagem de carteis e haverá jogos de interesses aos quais dificilmente se fugirá.
O que na origem leva a que estas situações aconteçam, é em meu entender uma forma dos toureiros tourearem mais, os ganadeiros terem a garantia de colocar os seus toiros e os empresários terem acesso mais garantido aos respetivos produtos e de forma mais acessível. Mas na prática acho hoje sinceramente que é melhor as coisas estarem separadas, pelo menos é o resultado da minha experiência que assim me leva a pensar.
Atentamente,
Paulo Pessoa de Carvalho
