Agosto é toureio a pé português não mereceu casa cheia, nem perto disso.
O que é de lamentar.
Mas o espectáculo contou com a grande maioria dos aficionados ao toureio a pé, e vivia-se, por isso, um ambiente familiar e conhecedor.
António João Ferreira teve um dos seis Calejo Pires da noite mais complicados. Com pouca pata, a avisar que o mirava e ganhando sentido nas tábuas rapidamente.
Pouco sacou a este hastado, pelo que não se pode dizer que a noite tenha começado da melhor maneira.
Já com o seu segundo touro da noite, TóJó encontrou-se com um bom touro, o seu irmão João Ferreira, colocou dois pares de bandarilhas que lhe deram ovação, e o matador avançou em grande para a muleta. Esteve entregue, ante um touro cheio de sentido que o ameaçou por diversas vezes.
Tivemos muletazos importantes, mas levou uma aparatosa colhida, voando pelo ar e magoando-se no joelho, fechando a lide a coxear e tirando os últimos bons pases de flanela antes de “matar”.
Manuel Dias Gomes começou com um touro que lhe deu um bom primeiro tércio, estando forte e aprumado com o capote. Nas bandarilhas mostrou-se difícil para a quadrilha de Dias Gomes, porque foi um touro a esperar e sem sair.
Contudo, na muleta o matador soube tirar-lhe bons muletazos apesar de estar difícil a transmissão para os tendidos, mas chegando a soltar a música e ovação à praça, com afinco com que esteve.
Para último touro a lidar na primeira praça do país, Manuel Dias Gomes teve um oponente que se prestou muito bem à sua muleta, criando um muito agradável último tércio, com merecida música.
A apresentação de João Silva , “Juanito”, foi um momento bastante esperado esteve interessante e entregue no capote, e com a muleta revelou-se, sacou bons passes, bem ligados e deixando a muleta sempre na cara do touro, levando-o em redondo, com bonitos desplantes e manoletinas e um ritmo excelente. A melhor faena da primeira parte, tendo havido alguma discussão para que houvesse segunda volta, que não foi autorizada pela direcção de corrida.
Para fechar a noite, Juanito defrontou um muito bem apresentado Calejo Pires, com muita transmissão. Traçou bonitas verónicas, bem rematadas, e com a muleta trouxe emoção citando e dando um conjunto de pases de joelhos, bem rematados com um passe de peito. Brindado logo pela banda, seguiu a lide bem nos médios, redonda. É o futuro do toureio apeado nacional. E é bom.
A noite ficou também marcada pela fraca prestação do director de corrida, Ricardo Dias, sobretudo quando manda tocar o aviso a TóJó para que não toureasse depois da sua voltareta. Entrevoutros apuntes…
Sílvia Del Quema
