Dizem que falo de tudo e de nada, e hoje o nada é o mais importante. Esta será a primeira de duas crónicas que escrevo antes das eleições, e não querendo ser repetitiva e fazer cópias (fingindo agora que não leio sequer as crónicas do Senhor meu Pai), parece-me urgente este tipo de discurso. Não me venham com histórias de que a Tauromaquia nada tem a ver com a política blá blá… Enquanto forem estes últimos a decidir o futuro de praças etc., é escusado virar a cabeça para o lado e fingir que não temos nada que nos meter em politiquices.
Todos sabemos o que se passa cá dentro, e enquanto não existir coesão, nada funcionará.. Para além de decisões importantes, temos que levar com autênticos escândalos cá dentro.
Vejamos o que se passa nas praças hoje em dia, a balbúrdia de conselhos e cantorias. Em Madrid, em plena San Isidro por exemplo, existe um público que acha que sabe muito, nunca antes visto uma série de espontâneos aos gritos a interromper as faenas! Entres tentativas de hino e vivas ao Rei, uma autêntica chafurdice. Mas lá está, é apenas um reflexo do que se passa no Facebook por exemplo, onde as pessoas podem ser grosseiras, entendidas em tudo, uma verdadeira retrete da sociedade, a democracia na sua pior versão!
E se todos os que se calam em praça, refilassem fora dela, metade do que refilam lá dentro, a Póvoa não seria demolida! É menos um bocadinho de nós!
Proponho reavivar o porquê de todos nós amarmos tanto esta arte, dando uma de catedrática da coisa, sim, também sei algumas coisitas, e quando não sei, estudo, felizmente (muitas vezes, infelizmente e sei que algumas vão entender isto), tenho massa cinzenta suficiente para querer saber sempre mais, e humildade q.b. para perceber quando não sei.
Mas afinal, o que é tourear bem? Os princípios inquestionáveis do toureio: Honestidade e Verdade.
Mas quem diz como se tem que tourear? Quem é alguém para dizer que há uma maneira correcta de tourear e outra incorrecta?
Com uma boa dose de humildade, parece que existe sim, não se pode tourear de qualquer maneira!
É ok cada aficionado ter os seus gostos, mas a forma como se toureia é uma questão essencial para a justificação da existência do toureio, ainda mais nestes tempos de sensibilidades exacerbadas e “pseudo-coisinhos-dos-animais”.
Desde a sua origem, a tauromaquia tem princípios baseados em grande medida, na natureza e comportamento do touro, e fundamento ético (com consequências técnicas e estéticas). O cumprimento destes ditos princípios, deve ser para o aficionado a “prova dos nove”, para afirmar se o que está a ver, é “o” correcto.
A ideia fundamental em que se baseiam os princípios do toureio, tourear com segurança (não é um suicídio), mas sem roubar vantagens ao touro. Ou seja, e mais uma vez, honestidade e verdade.
E é tudo isto que faz do toureio um enfrentamento ético, e é este o argumento para justificar a existência da tauromaquia.
Os princípios básicos da maioria dos tratados taurinos, vão desde a colocação correcta e adequada do toureiro ao enfrentar o touro, às distâncias, carregar a sorte, etc., nunca esquecendo que o touro devido á sua condição de quadrúpede, é um animal que investe em linha recta e tem grande dificuldade em girar sobre si próprio.
O objectivo maior do toureio é enfrentar o touro para dominar a sua investida, não de a acompanhar, mas sim, modificar a sua “rectidão” natural e torná-la curva. Ou seja, submeter a trajectória natural do touro á vontade racional do toureiro.
Seja no toureio a cavalo ou no toureio apeado, existem uma série de requisitos técnicos e anatómicos, mas mais que tudo, sensações!
E que dizer da sorte suprema, a de matar o touro? Não se pode matar de qualquer maneira nem de forma desonesta, seria esvaziar todo o sentido da corrida de touros. A única justificação para o “sacrifício” público do touro numa corrida é que seja feito por quem honestamente põe a sua vida em jogo!
Por último, todos sabemos que o toureio não é só matemática, ainda que se possam ver inúmeras circunferências perfeitas, a beleza de um braço esticado como uma corda de violino, a geometria estética de tudo! Tudo porque existe um factor não controlável, o touro…
Pena que os touros não saibam ler ou ouvir as críticas que se escrevem e gritam, seria tudo tão mais fácil…
“Pseudo-animalistas-urbanitos-dos-que-inventaram-agora-o-flexitarianismo”, (flexitarianismo= vegetarianismo flexível, ou seja, são só vegetarianos de vez em quando= não me façam rir e tenham juízo), se algum de vós me der a honra de ler isto, espero honestamente que tenha aprendido alguma coisa, que continue a saborear peixinho e carninha sem tretas de nomes pomposos (comam á vontade bolas!), e mais importante:
Para pôr os pontos nos “is” de uma vez e aula ficar completa, a partir de agora acabou a cor rosa-choque ou fúcsia, é rosa capote!

