Há uma expressão que se usa sobre corridas pouco interessantes: “uma corrida sem história”. Porém, a primeira do abono de 2020 no Campo Pequeno foi outra corrida para a História que Luís Miguel Pombeiro realizou. Não quer dizer que tenha sido uma corrida com muita história na arena…
Esta nocturna foi puro entretenimento e uma noite de vitória, há qual alguns – muito aplaudidos de pé após um brinde do grupo de Lisboa – deputados puderam assistir do camarote presidencial. Presenças importantes num período da História da Tauromaquia em que os ventos estão quase todos contra nós.
A casa esteve praticamente cheia, sem contar com os cerca de três mil lugares que tinham de estar vagos por causa da pandemia actual. Os cavaleiros defrontavam um curro de António Raúl Brito Paes, no seguimento do triunfo desta ganadaria na temporada passada da primeira praça do País.
Contudo, Luís Rouxinol, Marcos Bastinhas e Duarte Pinto encontraram touros bem diferentes do ano passado, e os forcados de Santarém e Lisboa tiveram sérios problemas para se fecharem com os touros.
Marcos Bastinhas acabou triunfador, com um primeiro touro que o ajudou pouco, e um segundo que foi o melhor da noite e deu “volta” (que agora são meras idas à arena) ao ganadero.
Rouxinol foi quem teve os piores do curro e não conseguiu luzir-se como o habitual, enquanto Duarte Pinto, no último e prestável touro da corrida, cravou os três melhores ferros da noite.
Já as pegas foram de coragem, ambos grupos estiveram ante touros complicados e as pegas realizaram-se duras. Salvador Ribeiro de Almeida , por Santarém, consumou ao segundo intento; Duarte Mira, por Lisboa, foi a única pega à primeira; Joaquim Grave, pegou à segunda tentativa pelo grupo da capital do Ribatejo; Vítor Epifânio, também se fechou apenas ao segundo intento pelo grupo da capital do País; António Queirós e Melo consumou ao terceiro intento; e fechou a noite Lisboa, indo à cara João Varandas, que teve concretizou a pega à quinta tentativa.
Porém, poder estar no Campo Pequeno a assistir ao espectáculo para o qual aquela obra foi edificada, é a grande nota da noite.
Se os lugares podiam ser melhor distribuídos ou se as voltas fazem falta ou se os forcados deviam estar sempre nos seus burladeros e ver a corrida toda… são questões de somenos que brevemente – acredito – serão ultrapassadas.
O que não está para ser ultrapassado é a luta que temos pela frente contra os anti-taurinos, cuja manifestação usual lá estava, às portas do Campo Pequeno.
E não vale a pena continuar a menosprezá-los, lembrando quão poucos são e quantos nós somos, porque David também venceu Golias.
Sílvia Del Quema
