A Grande Corrida do Correio da Manhã, em que o Campo Pequeno com a bancada quase cheia, homenageou três dinastias que «contribuíram muito para a evolução do toureio a cavalo» rodeava-se de grandes expectativas.
Mas por maiores que elas sejam, só quando soa o toque do cornetim e se abrem as portas dos curros é que a sorte é ditada porque é bem verdade que «os toiros são como os melões e só depois de abertos se vê o que levam dentro».
Apesar excelente apresentação dos 6 toiros da ganadaria alentejana Pinto Barreiros, com peso e trapio e apesar de terem cumprido e proporcionado um espectáculo agradável, faltou transmissão.
João Salgueiro vinha disposto a “matar saudades” com aquelas lides de antologia que marcaram o auge da sua carreira e foi triunfador da noite. Entendeu os dois oponentes que lhe tocaram e lidou-os com arte, ao seu estilo clássico e ousado que chega ao público com grande facilidade. Com vistosas piruetas como adorno, andou sempre ligado aos oponentes, recorrendo minimamente à quadrilha para os mexer nos terrenos e de forma muito natural cravar os ferros ao estribo.
Ao contrário do que acontece com muitos rejoneadores, que se tentam adequar às exigências do público português,
Andy Cartagena optou por se manter fiel à técnica do rejoneio. Apesar da ferragem comprida não soar tão bem aos nossos olhos, nos curtos as lides ganham impacto com os ladeares, a lambada, as piruetas e as distâncias curtas a que se coloca dos toiros. Na segunda função, apesar de mais aliviada, entusiasmou com os violinos e os recortes justos no piton.
Moura Jr mostrou-se senhor de um estilo já consolidado e seguro. Teve pela frente o pior lote de Pinto Barreiros mas ainda assim soube dar-lhes a volta. No primeiro, a lide baseou-se em ferros ao câmbio, obrigando o toiro em tábuas. No segundo, que foi mais colaborante andou correcto nas sortes de frente no centro da arena.
Todas as pegas da noite foram consumadas à primeira tentativa pelos grupos de Amadores de Vila Franca de Xira e de Portalegre, com os toiros entravam francos nas reuniões.
Por antiguidade foram primeiros os de Vila Franca de Xira através de Ricardo Castelo, Pedro Castelo e Nuno Casquinha.
Pelos de Portalegre foram caras Miguel Zagalo, Ricardo Cardana (que depois da volta foi chamado aos médios pela imponente pega que consumou) e Nelson Baptista.
Sonia Conceição
