O rio Sizandro desagua no oceano junto à Praia Azul, num local chamado Foz do Sizandro. É ali, junto ao extenso areal da praia que a portátil se instala, formando um quadro cheio de cores a contrastar com o azul intenso do mar.
E muito ‘’salero’’ teve esta corrida, com o excelente curro de Herdeiros de António Silva. Muito bem apresentados, rematados e acima dos 500kg, os toiros andaram e mandaram ao longo da tarde, pedindo meças aos ginetes, que nem sempre conseguiram estar-lhes por cima.
Talvez por isso se tenha escutado tão pouca música ao longo da tarde – recusada primeiro pelo director Ricardo Pereira e depois pelo estagiário João Pedro Martins, que não se deixaram levar pelas insistentes palmas do público que encheu cerca de meia casa…

Como se apresentava na televisionada nocturna das Caldas da Rainha, foi Brito Paes quem abriu praça. Foi o primeiro a não ver o lenço branco e não escutar música. O ‘Silva’ apertava nas reuniões e exigiu muito do cavaleiro que cumpriu a ferragem da ordem e foi elevando o timbre da lide, em especial com os dois últimos ferros de frente com bonitos cites.
Frente ao segundo do seu lote não teve melhor sorte. Este toiro, que partiu as tábuas e entrou pelas trincheiras causando verdadeiro reboliço, teve génio até ao fim da lide. Ora a frenar nas reuniões ora a trazer a cara lá acima, o exemplar pediu contas e Brito Paes acabou por ter novamente apenas nos últimos ferros o melhor da lide, voltando a não receber música. O cavaleiro saiu porém da Foz do Sizandro com bom ambiente, já que o público entendeu as dificuldades e apreciou o sentido ascendente de ambas as lides.
Filipe Gonçalves teve também uma tarde dura na Foz do Sizandro. No primeiro andou correcto na ferragem comprida, onde se começou a ver as dificuldades deste toiro que se adiantava enormidades no terreno. Fazendo uso da sua versão mais “moderna e popular” esta primeira lide não teve espaço para alívio e apesar das palmas e piruetas, o cavaleiro pisou terrenos de compromisso. Tinha o público consigo mas – não tendo escutado música, recusou a volta.
A música viria a tocar apenas ao terceiro curto que cravou no seu segundo toiro. Aqui, o cavaleiro andou encastado e vibrante, procurando reuniões justas nas batidas ao piton contrário. Um toiro que ficava no engano quando a batida era mais pronunciada e que apertava e transmitia na reunião quando o quarteio era mais justo, motivou várias passagens em falso mas também muito sonantes os ferros que se concretizaram.
De João Moura Caetano, quase temos apenas para relatar uma parte. Com efeito, com o decorrer da lide, o segundo exemplar do lote lesionou-se e perdeu a mobilidade. O cavaleiro cumpriu a ferragem da ordem sem defraudar, apesar de também não ter recebido música.
Sucede porém, que a primeira lide lhe valeu por duas… Moura Caetano esteve soberbo! Completamente entregue, o cavaleiro meteu-se pelos terrenos, escolheu-os sem pecado, deu uma bem conseguida brega ao toiro, aproveitou-lhe as querenças, apôs emoção e cravou com verdade e muita plástica todos os ferros sem excepção. Conquistou o público do Sizandro e sagrou-se, sem margem para dúvidas, o grande triunfador da tarde.
No capítulo das pegas, com Ribatejo e Alentejo muito bem representados pelos Amadores de Coruche e Amadores de Portalegre, também houve bons momentos.
Por Coruche abriu praça Miguel Raposo, que, com grande coesão do grupo, consumou a primeira pega da tarde ao primeiro intento, muito bem a carregar a sorte, a consentir muito e a reunir no momento certo para se fechar decidido à córnea.
Pedro Galamba concretizou aguentou vários derrotes e consumou a pega ao segundo intento, bem ajudado nas primeiras.
Paulo Oliveira esteve muito bem a citar e mandar na investida do toiro, reuniu com grande eficácia à córnea, donde não saiu apesar da dura viagem por baixo.
Pelos Amadores de Portalegre foi primeiro André Neves, que reuniu correcto à barbela ao primeiro intento apesar de ter visto o toiro ensarilhar na investida.
À terceira tentativa e com as ajudas mais carregadas pegou Alexandre Lopes, que encontrou dificuldade na mangada alta do exemplar.
Por fim pegou António Carim à primeira tentativa de forma correcta com boa ajuda do grupo.
Sara Teles
