Foi a primeira lotação esgotada da temporada de comemoração dos 120 do Campo Pequeno. Uma corrida integralmente portuguesa, como se exigia para a homenagem aos nossos emigrantes, que aderiram em força para encher as bancadas e desfrutar da festa.
A festa resultou mesmo em pleno com o toque especial que lhe deu o excelente curro de Eng.º Luís Rocha, em apresentação e comportamento. Toiros bravos, que transmitiram e que se impuseram, sendo ao mesmo tempo nobres e francos nas investidas.
Abriu a noite a cavaleira Ana Rita que confirmou hoje a alternativa nesta 14.ªcorrida TVI.
Um ano depois da corrida também televisionada do Coliseu de Redondo, onde tomou a alternativa das mãos de Manuel Jorge de Oliveira – Ana Rita confirmou na catedral, lidando o primeiro exemplar do lote, cedido por Rui Salvador.
Apesar das sequelas ainda visíveis da recente colhida em Espanha, a cavaleira vinha com muita disposição para aproveitar a oportunidade. Num estilo muito notoriamente marcado pelo rejoneio e algo aliviado, concretizou uma lide breve mas correcta, que agradou ao público – em particular com os dois últimos ferros de violino.
Seguiu-se Rui Salvador com uma lide de antologia, que sobrou em verdade, entrega e em belíssimos ferros. Apesar da colhida aparatosa no segundo comprido, em que a montada ficou comprometida e não se saiu ante a investida a galope do exemplar, tudo o que se seguiu foi a mais e do mais verdadeiro toureio, com grandes ferros em terrenos de verdade.
Luís Rouxinol não começou bem, nem com a sorte de gaiola nem na colocação dos três compridos. Contudo, a lide evoluiu para a ode habitual com grandes ferros ao estribo e grande entendimento do toiro, que veio a ser o mais bravo lote, com codícia e grande transmissão. Terminou com um par, seguido de um palmo.
Sónia Matias teve uma lide redonda e bem conseguida. Aproveitou a nobreza do toiro, de investidas sempre francas para se colocar de frente e cravar de caras. Com um terceiro curto de encher o olho e o público no bolso, cumpriu nesta noite com uma boa prestação. Para a volta, a cavaleira chamou à arena o Eng.º Luís Rocha – que tem trazido repetidos êxitos da catedral.
Ana Baptista não esteve nas suas melhores noites, apesar de num quadro geral, a função tenha resultado correcta e regular. Apesar da bravura do toiro, não emprestava tanto a emoção às sortes, já que se empregava com a cara por baixo e suavidade de investida. A cavaleira andou quiçá acelerada e não conseguiu as melhores reuniões, embora se tenha colocado, como sempre em terrenos de frente. Estendeu um pouco a lide nos adornos, com um sexto e sétimo ferros de palmo que não vieram acrescentar muito.
A Brito Paes saiu o toiro mais reservado deste curro tão acima da média. Apesar de ter crescido com o evoluir da função, o exemplar foi o que menos transmitiu apesar de se empregar nas reuniões para acometer. Destacando-se o primeiro curto, terminou a lide clássica num registo de grande entrega que se manifestou nas bancadas, em especial com os dois palmos ao estribo, que foram, de facto, bonitos.
No capítulo das pegas viveram-se esta noite grandes momentos, embora uns mais felizes que outros…
O grupo do Ribatejo destacou-se esta noite com a“inesperada” despedida de Joaquim José Penetra. Regressando quatro anos depois de ter entregado o comando do grupo e de se ter fardado pela última vez, o antigo cabo vem pegar o primeiro toiro do grupo na corrida televisionada da primeira praça do país – uma decisão que não deixamos de estranhar pela exposição em que se colocou.
Joaquim Penetra pegou assim o último toiro da sua carreira ao terceiro intento, depois de se ter magoado num braço na primeira tentativa. Não duvidando que não ia por em causa a prestação do grupo esta noite (mesmo sem mobilidade no braço), o forcado terminou a carreira e saiu em ombros do Campo Pequeno, como certamente seria o seu sonho.
O actual cabo, João Machacaz, não obteve reunião ao primeiro intento, corrigindo-se na segunda tentativa para consumar uma boa pega à córnea.
Pelo Aposento do Barrete Verde de Alcochete, Diogo Amaro concretizou duas tentativas brilhantes em que vinha a aguentar-se com grande eficácia nos fortíssimos derrotes por alto que o toiro imprimiu e a que faltaram as ajudas, que viriam a corresponder apenas na terceira tentativa em que a pega se consumou.
Marcelo Lóia consumou à córnea uma grande e muito vistosa pega, a que o grupo correspondeu e que se concretizou ao primeiro intento.
Os Amadores de S. Manços tiveram uma noite redonda ao concretizar duas pegas ao primeiro intento de exemplar execução quer pelos forcados da cara quer pelas ajudas. Foi primeiro Manuel Vieira, que depois de um cite sereno e bonito se fechou à córnea com eficácia; e segundo Pedro Fonseca, fechando-se igualmente à córnea para consumar uma pega de técnica exemplar. Duas grandes primeiras ajudas de Gonçalo Louro e uma grande coesão de todo o grupo atrás, sobressaíram igualmente desta passagem pela capital.
Resume-se uma muito interessante corrida de toiros em que, pela diversidade, “houve para todos os gostos”…
