Esperava-se muita emoção dos Vale Sorraia e competição do mano-a-mano Rouxinol vs Salgueiro e também por isso a casa quase encheu em Alcochete.
Rouxinol acabou por sair vencedor do confronto. Mais correcto do que exuberante no primeiro exemplar, deu prioridade à investida pronta e cravou os ferros de frente, aproveitando a mobilidade e transmissão do toiro. Não passando do morno, elevou a expectativa para as duas lides seguintes, onde os “dois pontos” foram claros e sem equívocos. Muito distintas entre si, as outras duas prestações do cavaleiro de Pegões foram mais uma prova de uma grande amplitude de recursos e técnica.
Abriu a segunda lide com um bom comprido de praça a praça, outro correcto e um grande lio entre a brega compassada com os pitons a roçar o estribo e bons ferros de cite curto, frente a um oponente que cedo aprendeu a cortar caminho e que reuniu sempre levando a cara lá acima.
O segundo ponto ganhou-o no terceiro do lote – um Vale do Sorraia complicadote, com grande sentido nas trincheiras onde parecia querer refúgio e que apesar de ter vindo a mais exigiu muita ligação. Deu-a o cavaleiro na sequência dos sete curtos que cravou, dos quais, o segundo resultou sonante pela reunião cingida tal como o par cravado em sexto lugar, com um quarteio vincado e reunião ao estribo que levantaram a bancada em exclamação.
João Salgueiro, só abriu o marcador no último da noite. Frente ao primeiro exemplar, cumpriu e usou das vistosas piruetas para colher maior impacto, mas não rompeu de facto… O quarto da ordem que lhe coube em segundo lugar, foi um manso encastado de investidas bruscas que aproveitava todas as desculpas para fugir do confronto. O ginete da Valada andou empenhado, sóbrio e procurando o sítio mas faltou toiro e a correcção das sortes não chegou para criar harmonia – recusou a volta e ganhou ânimo para a última da noite. Fechou então a corrida a marcar um ponto sonante. Puxou dos galardões e de logo no segundo comprido de praça a praça reparámos que haveria muito para ver… Nos curtos cravou o primeiro com bom ferro de frente um justo quarteio; citou o toiro de longe e aguentou para cravar recebendo ao estribo no segundo; acometeu de caras e cravou de alto abaixo o terceiro – bregou o toiro templando e adornou com piruetas antes do quinto ferro, em que de tal forma cingiu o quarteio que acabou por sair com um violento toque na montada. Terminou a noite num registo quente, embora o 2-1 …
Para as pegas os Amadores de Alcochete e Amadores da Moita não acharam dificuldades.
René Tirado (cabo dos Amadores de Mazatlán em “estágio” em Portugal) pegou com muito donaire o primeiro, mandando na investida a recuar bastante, reuniu com eficácia à primeira. Joaquim Quintela esteve correcto a alegrar o toiro que partiu solto e embora tenha recebido com o joelho fechou decidido à córnea, recebendo uma muito boa ajuda do grupo. Pedro Correia fechou a noite dos anfitriões ao primeiro intento, numa pega eficaz à barbela com uma bem executada primeira ajuda lateral.
Pelo Aposento da Moita abriu praça Nuno Carvalho, que viu o toiro arrancar solto ao primeiro intento e, faltando-lhe consentir e mandar, viu a investida ensarilhar sem que obtivesse reunião. À segunda, manteve-se correcto a carregar a sorte com o toiro a hesitar muito, recuando e fechando bem à barbela a aguentar três derrotes com o toiro a desviar da linha.
Nuno Inácio consumou uma pega correcta em que, mandando o toiro vir de longe, reuniu sem dificuldade à barbela, com o grupo a corresponder. Diogo Gomes encerrou a corrida com uma pega vistosa em que o toiro levou a cara lá acima, ficando sem hesitações na córnea até o grupo fechar com coesão.
Sara Teles
