Foi muito dura esta feira de Nossa Senhora do Castelo para os Amadores de Coruche.
Duas lesões muito graves, entre outras de menor gravidade, marcam o resultado final das duas corridas do certame.
Os Amadores de Coruche que pegaram neste domingo toiros de David Ribeiro Telles a pedir muitas contas e que se encerraram na sexta-feira (dia 17) com toiros de Veiga Teixeira, cuja aspereza se viu nas duas últimas pegas consumadas pelo grupo.
Alberto Simões ficou gravemente lesionado com duas fracturas no pé, que o impedirão de continuar esta temporada. O valoroso forcado pegou o último exemplar de Veiga Teixeira, com 590kg, que vinha inteiro da lide abreviada de João Salgueiro.
Frente ainda ao mesmo toiro, foi de maior gravidade a lesão de Nuno Oliveira (Piu), que caiu mal na arena de cabeça, o que provocou uma fractura na coluna vertebral e o seu imediato internamento. O forcado que se encontra hospitalizado, não corre perigo de vida, será operado amanhã mas não poderá voltar às arenas.
Esta semana ficou marcada por várias outras lesões de forcados, de que são exemplo:
A fractura na mão de um forcado do Real Grupo de Moura na corrida de sábado no Sobral da Adiça (toiros de La Dehesilla).
No Aposento da Moita Nuno Carvalho sofreu um corte profundo na face na corrida de Alcochete (toiros Vale de Sorraia), José Henriques uma grave luxação na coluna na quinta tentativa em Samora Correia (toiros de Assunção Coimbra) e ainda deste grupo na corrida em Espanha, Pedro Henriques sofreu uma cornada profunda na coxa que determinou uma costura 50 pontos.
Dos Amadores de Alcochete lesionou-se o primeiro ajuda João Rei com luxação no ombro no concurso de ganadarias de Alcochete (toiro de Pinto Barreiro) e na mesma corrida, Nuno Santana traumatismo no externo (toiro Eng.º Samuel Lupi), Rúben Duarte está ainda hospitalizado com várias fracturas no tórax (costelas e externo), mercê da última pega do grupo ontem no Montijo (toiros Arucci).
Importante referir que a segurança dos grupos de forcados foi um tema aceso há duas temporadas, quando a ANGF promoveu a utilização bandarilhas de segurança – questão que ainda não está resolvida.
Mas não só os ferros de segurança, as trincheiras em alvenaria ou os burladeros fixos põem em perigo a integridade física dos forcados – muitas vezes, no decorrer das lides os cavaleiros esquecem que as suas escolhas poderão afectar gravemente o que se passa nas pegas. Tão mau para a pega poderá ser um toiro que se deixa inteiro, como um toiro que é alvo de dezenas de “capotazos” ao longo da lide.
Sobre esta última problemática, defende com todo o acerto José Barrinha Cruz, co-fundador dos Amadores de Alcochete, que escreveu a propósito da corrida de 13 de Maio em Salvaterra o texto que passamos a citar: Os toiros “ […]chegaram aos fim das lides a cavalo completamente esgotados, «metidos» em tábuas – nunca de lá «saíram» – […] sabemos que quando assim acontece tudo se complica. Os capotazos para os obrigar a «sair» vão-se repetindo; as mudas de terreno constantes; […] toiros com esta idade e «afogados» «aprendem» rapidamente; defendem-se; fixam-se no «seu terreno» e, quem lá entrar sofre as consequências […].”.
Este é, sem dúvida um apelo aos intervenientes da festa para corrigir o que é possível na defesa do bem comum!
Aos Amadores de Coruche, em especial ao forcado Nuno Oliveira, endereçamos as nossas palavras de maior respeito e admiração e votos de uma recuperação rápida ecompleta!!
Assim o deseja também a equipa do Sol e Sombra aos grupos e forcados que aqui referimos e, a todos os demais que se encontrem em recuperação!
