Grândola preencheu cerca de ¾ das bancadas da portátil de Possidónio Matias, responsável pela organização desta que foi a sua 10ª corrida da “Feira de Agosto”. Chegámos cedo e já um simpático sistema de som animava o recinto. Aliás, a cerca de meia hora do espectáculo já com muita gente acomodada nas bancadas, ouvia-se aqui e ali trautear «que viva España!!» da celebre canção de Manolo Escobar, que ia tocando e enchendo a arena.
Segue a septilha de Escobar que «La plaza por si sola vibra ya / y empieza nuestra Fiesta Nacional», que neste caso não é em Espanha mas bem no coração do nosso Alentejo litoral – mas, de facto, com uma bancada muito vibrante.
Desafortunadamente, o espectáculo não acompanhou a vibração da bancada. O curro de Conde Cabral desigual de apresentação, pequeno e justo de forças, foi regular de comportamento, cumprindo com nobreza e mobilidade ao longo da tarde. Exemplares de comportamento belíssimo, muitos furos acima da média mas que pouco transmitiram mercê da referida condição.
Rui Salvador abriu praça em plano muito irregular. Com efeito, o desentendimento com a montada de saída comprometeram a correcção da primeira ferragem, marcando depois a lide com algum comprometimento, numa passagem irregular. Na segunda metade do espectáculo o cavaleiro lidou um exemplar que mostrava dificuldades nos quatros traseiros, apesar de mostrar vontade de se empregar (o que acabou por fazer já ao fim da lide). Esta condição impediu que o cavaleiro chegasse efectivamente à bancada, resultando, porém, bonitos os quarteios bem marcados no desenho dos ferros.
Luís Rouxinol encontrou no primeiro do seu lote um oponente que tinha mobilidade – embora justo de forças – que lhe permitiu exibir-se na brega. Cumpriu a ferragem numa lide bem estruturada. O mesmo repetiu frente ao quinto da ordem, que se empregava mais na brega e que chegou por duas vezes a tocar a montada do ginete. Ainda assim o cavaleiro saiu com grande ambiente do espectáculo ao terminar com palmo e par de boas notas.
A cavaleira Sónia Matias esteve correcta na primeira parte da corrida frente a um cornialto que nada transmitia. Embora não tenha conseguido chegar ao público, a cavaleira andou entregue e num registo de muita eficácia. Para fechar a tarde, a cavaleira vinha disposta a dar cartas e foi exactamente isso que fez. Do naipe coube-lhe um oponente que cumpriu bem, que entrava com nobreza e que emprestava algum brilho às sortes. Andou com muito sítio, muito ligada, metida na lide a escolher os melhores terrenos. Agradou ao público, em particular com os dois sonantes violinos com que rematou esta última actuação da tarde.
Os cabos dos Amadores de Coruche e Aposento da Moita viram nesta corrida uma janela de oportunidade para rodar os mais jovens.
Pelos Amadores de Coruche (com duas estreias a pegar em praça) foi primeiro Miguel Palma, que à quinta tentativa tornou fácil o que não havia logrado nos primeiros intentos. Cristiano Conceição teve muita vontade de consumar a pega ao primeiro intento e ficou determinado à córnea, donde vinha quase escorregando, com o toiro a querer tirá-lo e a sair da linha do grupo. José Sousa fechou a tarde também ao primeiro intento – esteve muito bem frente ao oponente, fechando com decisão à barbela e bem ajudado pelo grupo.
Do Aposento da Moita Pedro Gonçalves saiu lesionado à terceira tentativa e foi dobrado por José Maria Bettencourt, que se fechou muito bem à barbela para consumar assim, ao quarto intento. Salvador Pinto Coelho esteve correcto a reunir à barbela, tardando ligeiramente o grupo a fechar. João Ventura teve vontade e, embora com reunião pouco ortodoxa, consumou à primeira.
Sara Teles
