Foi a primeiríssima das seis corridas da feira. Por ser dia de feriado municipal justificava-se o início marcado para as 18h, mas o público moitense ter-se-á reservado (esperemos) para os próximos cartéis e não aderiu além do quarto de casa.
Um dos apelativos da corrida era a divisa mãe das ganadarias. No entanto, o curro de Pinto Barreiros não foi homogéneo nem de apresentação nem de comportamento e marcou a tarde / noite por uma insipidez que em nada correspondia às expectativas. Os toiros anunciados entre os 470 e os 545kg saíram desencastados e sem raça que bastasse para chegar à bancada, embora em geral nobres.
O primeiro dos três João em cartel, foi o Moura. Abriu praça sem ganas de triunfo e desaproveitou a nobreza e suavidade que o Pinto Barreiros tinha para oferecer. Recebeu com boa brega, executou com eficácia os compridos. Nos curtos levou o toiro a trote na brega pelo estribo, sítio onde não se deu a reunião de nenhum dos três ferros o que justificou a ausência de música. Resultou ortodoxo o último mas a lide desagradou à bancada. O segundo oponente foi recebido sem peões de brega, querendo o cavaleiro mostrar logo que vinha com outra disposição. O toiro foi nobre, partia franco e acudia aos cites mas faltou-lhe transmissão como aos demais. A lide foi baseada em ferros ao piton contrário e viu-se um Moura empenhado mas sem conseguir o brilho que pretendia face à escassa margem que lhe dava o oponente.
João Salgueiro recebeu bem o segundo toiro da tarde, bem distribuído de carnes e que saiu com som e boas maneiras no capote. O primeiro comprido resultou bonito, com o cite de praça a praça e bem rematado. No segundo, o toiro já tinha aprendido o caminho e colheu a montada na reunião. Assim continuou a adiantar-se e a pautar a função de dificuldades. O cavaleiro deu sempre primazia à investida e teve que consentir sempre muito nas reuniões a que o toiro faltava, o que deu lugar a alguns “toques” na montada. Uma lide esforçada em que só houve petição de música ao quarto ferro e que só se fez acompanhar desta no quinto e sexto. A segunda lide Salgueiro simplesmente não funcionou e passou sem música. O quinto da ordem saiu sem graça e manseou ao segundo comprido, não facilitando nem emprestando nada às sortes. Dois compridos e três curtos esforçados, dos quais apenas o primeiro, ensesgado, teve som – resumem a tarde mediana para o cavaleiro de Valada.
João Maria Branco executou um primeiro curto muito bonito e um segundo menos ortodoxo. Daí para frente tudo foi bom. O ginete esteve muito por cima do exemplar que lhe coube, andou com entrega e entre a brega que foi dando ao toiro e os bons ferros com cites de dentro para fora a dar prioridade à investida – a música soou naturalmente ao terceiro dos cinco curtos (numa tarde em que Pedro Reinhardt teve muitas reservas em mostrar o lenço branco). Melhor ainda foi a lide que fechou a tarde. João Maria Branco “estuvo en torero” e selou uma lide séria, com muitos argumentos, muito sítio e muita vontade. Ao segundo curto soou a música, momento até ao qual o toiro teve mobilidade. A partir daí teve o praticante que lhe apor o ritmo que não tinha e conseguiu realmente que o toiro andasse ao seu compasso: deu-lhe cova, pisou-lhe os terrenos e obrigou-o em tábuas, com ferros de boa nota. Surpreendeu João Maria Branco – não era previsível mas foi, sem dúvida o triunfador da tarde!
Para as pegas os toiros foram igualmente faltos de emoção, não dando em geral problemas de maior para resolver.
Pelos Amadores de Évora abriu função José Miguel Martins que consumou à primeira uma pega em que o toiro se empregou com nobreza para uma correcta reunião à córnea, sem empurrar o grupo. João Pedro Oliveira vendo o toiro sair a chouto carregou bem a sorte e viu-o investir com suavidade para se fechar à córnea. O cabo António Alfacinha reservou para si a que viria a revelar-se a pega mais dura da tarde. À primeira tentativa ou toiro foi a “apalpar” e a procurar o forcado, defendendo-se na reunião com a cara à meia altura. À segunda o toiro saiu intempestivo e veio a bater pela viagem a procurar uma saída, o grupo não conseguiu fechar imediatamente e o cabo saiu quando o toiro baixou a cara. À terceira o toiro entrou com um piton e fugiu para tábuas impedindo a reunião. Na quarta de sesgo o toiro voltou a entrar rijo e despejar o forcado e por fim, à quinta, com o grupo carregado e ao sesgo, o forcado recebeu uma entrada duríssima mas consumou aguentando os derrotes.
Dos Amadores da Moita foi primeiro Pedro Raposo que executou correctamente a pega à córnea apesar de não ter visto o toiro humilhar nem empregar-se muito. Edgar Duarte reuniu à barbela mas não vinha bem fechado e quase escorregava; ainda assim teve vontade de lá ficar e aguentou até ser composto pelo grupo. Rúben Durens não conseguiu fechar-se à primeira em que o toiro entrou com um piton por diante. Ao segundo intento, com reunião à córnea, mandou na investida franca e consumou com correcção.
Sara Teles

