Compôs-se a Daniel Nascimento para a terceira corrida da feira. Esta terceira acabou mesmo por ser a primeira a decorrer com o ambientazo típico do Setembro moitense. O ambiente percorreu a noite mas o espectáculo em si – apesar de vários momentos muito interessantes – não foi tão emotivo quanto merecia.
Mais que emotivo foi o intenso e longo aplauso que todo o público ofereceu ao grupo do Aposento da Moita. No fim das cortesias, na saudação ao director de corrida toda a bancada se levantou, querendo, melhor do que com palavras, explicar a forte ligação ao grupo.
Os toiros para este terceiro espectáculo foram da divisa Passanha. Bem apresentados, cumpriram, deixaram-se, mas em traços gerais faltaram em transmissão. A suavidade, comodidade e nobreza, notas primas da ganadaria, em sacrifício, por vezes, da transmissão já não é grande surpresa.
Luís Rouxinol abriu praça lidando um dos exemplares que mais transmitiu. A lide foi a mais adequada, completa e cheia de adorno a aproveitar tudo o que o toiro tinha para dar, acudindo com alegria aos cites e a rematar as sortes com mobilidade. Os ferros resultaram todos bem executados, sóbrios entre a brega vistosa do Vinhas. Apesar de o segundo toiro – mais reservado e mais brusco nas investidas, pedir outros terrenos, o cavaleiro voltou a desenhar uma lide correcta. Mesmo com o toiro a tapar-se nos últimos ferros, aproveitou-lhe o sítio nos médios e redondeou.
Rui Fernandes mediou os terrenos do segundo Passanha da noite e sobrepôs-se à escassa disponibilidade deste para se empregar na brega e nas sortes. Escutou música ao segundo curto mercê da correcção dos anteriores e escutou forte aplauso no excelente terceiro, obrigando o toiro para reunir ao estribo nos médios. Quando fechou a lide ao quinto ferro escutou um forte assobio do público (quase) unânime a pedir “mais um”, a que acedeu com um palmo. A segunda parte da corrida não foi de grande acerto. Correcto nos compridos, iniciou os curtos com algum desentendimento com a montada a negar-se a ir à cara do exemplar. Só a partir do terceiro resolveu efectivamente a dificuldade da placidez do exemplar, com ferros de frente e bom quarteio, embora não rompendo como no primeiro.
Por sua vez encantou Miguel Moura com duas boas lides de interpretação muito bem conseguida. No primeiro houve petição de música ao partir do segundo curto mas Pedro Reinhardt não a cedeu antes do quarto, mercê, quiçá, de os ferros não terem ficado “en su sítio” apesar das sortes bonitas. No quinto ferro a música arriscou muitíssimo nos terrenos e acometer batendo ao piton contrário com o toiro em tábuas, viu a montada colhida mas não é discutível o mérito do ferro. Mérito que repetiu nos médios com o palmo de justa reunião, muito vistoso. A mesma airosidade e leveza logrou no último da noite. Com bonitos cites terra a terra, alternou em as sortes de frente e o cambio, apondo graça à lide do reservado Passanha.
No que tocou ao acarinhado Aposento da Moita a noite foi de grandes pegas.
Nuno Inácio deu meia praça ao toiro na primeira tentativa e viu a investir a ensarilhar. Não obstante o esforço para se manter à barbela acabou desfeiteado. À segunda não deixou o toiro vir de tão longe, mandou e consumou em boa técnica à barbela com uma muito eficaz ajuda do grupo. José Henriques consumou uma pega importante! Esteve extraordinário a citar o toiro e carregar a sorte, enchendo a praça com a alma que apôs na pega. Em técnica perfeita reuniu com grande decisão mandando no toiro, ficando determinado apesar da difícil e dura viagem por baixo. Saiu lesionado sob uma chuva de aplausos das bancadas! Nitinu Wen é um forcado inolvidável e o público reage à sua presença como em raros casos na forcadagem. Consumou a pega ao segundo intento entrando na jurisdição para sacar a investida e fechou-se à barbela com toda a eficácia. José Maria Bettencourt deu praça e recuou toureando o oponente. Recebeu um piton entre as pernas mas corrigiu-se imediatamente e consumou uma boa pega à barbela. Francisco Baltazar consumou a pega mais vistosa da tarde ficando na cara e aguentando o derrote para cima, bem ajudado pelo grupo. Por fim Tiago Ribeiro protagonizou os mais violentos momentos da noite. Depois de uma impressionante primeira tentativa, em que se viu ir ao limite das forças e da vontade para aguentar na córnea a viagem dura do toiro a fugir ao grupo, levou a cabo outra tentativa de duríssima antes de consumar à terceira a pega ao último Passanha, que, qual comboio atravessou o grupo!
Sara Teles
