“Coruche não meteu gente”. E não há pior comentário para começar porque uma praça com pouca gente – já se sabe que é meio caminho andado para um espectáculo morno. Foi basicamente o que sucedeu neste domingo. E se o quarto de casa foi meio caminho, o curro desequilibrado de Santiago,(antiga Miguel Cintra e não S. Martinho como foi referido nalguns orgãos), foi o restante que se trilhou. Saíram dois toiros bons, enquanto os restantes nem por isso deram jogo – resultaram em geral em lides mais ou menos monótonas com rasgos de interesse a surgir a espaços.
Ana Batista foi autora de uma passagem ténue mas muito meritória. O que lhe tocou em sorteio há-de ter sido dos piores do curro e obrigou a que entrasse nos terrenos a curto, com muito valor mas pouca emoção. Esteve muito bem a cavaleira na escolha dos terrenos e igualmente no desenho das sortes logrando completar com efeito sóbrio uma lide que a cavaleira montou com afinco.
Com fluida inspiração e muito confiado esteve Gilberto Filipe. Coube-lhe um exemplar que saiu a empregar-se nos rins mas que acabou a fazer “das tripas coração” para se empregar nas sortes que o ginete lhe impôs a contra gosto. Ficaram na retina os três curtos, em que fez a montada entrar na jurisdição para cravar ao estribo com o toiro a meter a cara alta debaixo do braço. Andou a gosto mas não podia mais face ao exemplar que cumpriu pelos mínimos.
Outra história há para contar de Filipe Gonçalves. Com a mesma disposição e entrega de sempre, o cavaleiro começou por decalcar dois evidentes compridos para desenrolar em sonantes e exuberantes ferros curtos. Com pronunciados câmbios no piton contrário, fez a bancada vibrar e entusiasmar-se. Entre a brega a ladear com passagens de mão, o toiro que era belíssimo (o melhor, aliás), não sobrou para o cavaleiro que lhe extraiu bem o tinha para a sua irreverente maneira de tourear. Terminou com mais vulgaridade nos ferros de adorno mas apôs o seu selo no documental triunfo.
António Maria Brito Paes teve uma passagem desluzida pelo tauródromo ribatejano. Por sorteio coube-lhe um exemplar frouxo, que entrou e saiu sem graça dos compridos aos curtos enquerençado nos tércios onde o terreno mais solto da arena o fez sentir abrigado. O ginete bem se esforçou no critério dos desenhos mas o efeito foi quase nulo.
Bem assim foi a ingrata passagem de Manuel Telles Bastos (que entrou para o cartel a pedido do público votante da última corrida mas que desta feita se ficou por casa). Todos os ferros foram de nota superior, na ímpar qualidade da sua escola. Resultaram muito bons o segundo e terceiro entrando pelos terrenos no limite mas ao fim soou uma lide desligada e pouco ritmo entre os bons apontamentos.
Fechou a corrida Tiago Carreiras. Entendeu a transmissão do exemplar, que se manteve fiero e a acudir pronto aos cites e andou com ritmo acelerado mas de bom efeito. Correcto nos compridos assinou três curtos ao piton contrário de todo exuberantes a quebrar a monotonia em que tinha caído o espectáculo. Terminou com um ferro de frente templado e bem rematado com o público a desfrutar e pedia mais…
Nas pegas, partilhadas entre os Amadores de Coruche e os de Alcochete a divisa não complicou e “deu empate” entre os dois.
Abriram função os da casa. Pelos Amadores de Coruche foi primeiro Ricardo Dias a protagonizar uma pega de boa eficácia e técnica. O toiro entrou com a cara a meia altura e o forcado fechou com decisão à córnea com o grupo a corresponder com rapidez e a blindar, destacando-se a abordagem eficaz com que o rabejador rematou a pega. José Sousa repetiu com boa prestação à primeira. Mandou na investida enviesada do toiro, corrigindo-se nos terrenos a recuar e com os tempos bem cumpridos fechou à córnea bem ajudado atrás. José Tomás mandou na investida a chouto do exemplar mas não conseguiu ficar com o derrote a despejar ao primeiro intento. Consumou com eficácia à segunda, repetindo o grupo com prontidão e coesão na ajuda.
Pelos Amadores de Alcochete o cabo mandou primeiro à cara Joaquim Quintela. O toiro entrou franco e a pega foi plena de eficácia com o forcado a colar-se à cara bem fechado à barbela. Diogo Timóteo saiu inanimado depois de não ter consigo dar a volta à investida hesitante do toiro que por duas vezes foi a passo para o forcado arrancando brusco depois. Resolveu à terceira Pedro Viegas carregando bem a sorte e reunindo eficaz à barbela. Fernando Quintela recuou muito com o toiro e ficou acoplado na cara numa pega que encheu o olho. Embora o toiro tenha ensarilhado atrás para tirar a cara quase retirando o forcado, não perdeu os braços e o grupo ajudou a compor.
Sara Teles
