Os números da temporada que hoje termina ainda não são totalmente conhecidos, no entanto, ontem, no programa Burladero de Imprensa da Rádio Voz de Alenquer, Catarina Bexiga esteve à conversa com Paulo Pessoa de Carvalho da APET e João Santos Andrade da APCTL, que revelaram alguns dados importantes sobre o presente e o futuro da Festa de Toiros em Portugal:
PAULO PESSOA DE CARVALHO (APET)
“Este ano estamos com cerca de 260 espectáculos, mais do que inicialmente foi previsto (…) O que se passou em 2012 para mim foi um fenómeno de alguma quantidade de corridas a mais, em algumas praças fixas que não deviam ter dado tantas corridas. Inclusive, e não há melhor exemplo que as Caldas da Rainha, à qual eu estou ligada (…) Sendo eu o primeiro a enviar a carapuça, o ano de 2012 não foi ponderado com o cuidado que deveria ter sido, para a quantidade de espectáculos realizados e que para 2013 as coisas serão seguramente mais difíceis. Não querendo dar um ar de desmotivação nem preocupação excessiva, eu quero dar um tom de alerta e atenção, porque para a Tauromaquia poder continuar, para se conseguir auto financiar, para conseguir sobreviver, o ano de 2013 vai ser um ano mais duro (…) Qualquer actividade vai ter que repensar a sua gestão e a sua forma de estar e a Tauromaquia que é um espectáculo cultural, que não é necessário para o espectador ir aos toiros para continuar a viver, se calhar na ordem de prioridades das pessoas, o comprar um bilhete esteve em 4.º ou 5.º lugar há meia dúzia de anos, esteve em 10.º nos dois últimos anos e estará em 15.º em 2013.”
“Os preços devem de alguma forma baixar, mas para isso tem que se baixar o custo geral do espectáculo. Isto não é pagar menos aos toureiros e aos toiros, mas os preços já estão em limites muito baixos (…) Em primeiro lugar estão as rendas das praças, as rendas têm estado perfeitamente inflacionadas em grande número de situações. É um assunto que APET irá ponderar relativamente à temporada de 2013. As rendas estão altamente inflacionadas, e portanto este para mim é o primeiro grande corte que terá de haver em 2013.”
“Este ano tivemos surpresas agradabilíssimas em termos de publico, mas tivemos grandes fracassos de bilheteira, como Azambuja, Salvaterra e Évora. E não me compete fazer previsões para o Redondo ou Cartaxo. Mas sinceramente eu penso que estamos numa altura muito critica e esta onda de contenção colectiva vai continuar (…) O que eu vejo e o que eu tenho a certeza é que temos que nos adaptar aos novos tempos que aí vêem.”
“A direcção da APET tem trabalhado intensamente (…) Conseguimos este ano que quase a 100% os promotores de espectáculos fossem associados da APET. Temos neste momento cerca de 70 associados e temos previsto uma assembleia geral para a primeira quinzena de Janeiro, onde irão ser apresentadas novas medidas internas de funcionamento da APET e onde vai ser acordada uma estratégia comum para o futuro.”
JOÃO SANTOS ANDRADE (APCTL)
“As hipóteses no início da temporada de que iríamos ter uma temporada realmente catastrófica não veio a acontecer. Houve um numero de espectáculos sensivelmente idêntico ao ano anterior, e houve um consumo de toiros bastante significativo, embora a produção nacional é uma produção que tem aumentado todos os anos e ficaram alguns toiros no campo (…) Este ano entraram menos toiros de ganadarias espanholas, houve realmente uma diminuição (…) Das corridas que ficaram no campo, os casos mais problemáticos são os curros de 4 para 5 anos. Há situações dessas, mas que se prendem não com a diminuição de espectáculos, mas sim com um aumento da produção e uma redução significativa também da exportação de toiros. Nós normalmente exportávamos 300 / 400 toiros por ano, e nos últimos anos, devido à crise também existente em Espanha, e que é muito superior à nossa, temos enviado menos toiros para Espanha. O excesso de toiros que estão no campo ainda não é preocupante, mas já começa a ter as suas mazelas.”
“Lanço aqui um apelo grande a todos os empresários para o próximo ano, e face à crise que deve ser idêntica ou superior à deste ano, mas para continuarmos com o espectáculo tem que se rever a politica de preço (…) É verdade que o valor das rendas das praças é enorme, mas as praças vão a leilão e só lá vai e só oferece quem quer. Tem que haver equilíbrio em todos os aspectos, e isto para benefício do público.”
“Nós ao produzirmos um toiro não estamos a produzi-lo para o ano que vem, estão a nascer agora os toiros que vão ser lidados daqui a 3 ou 4 anos, portanto é muito difícil nós estarmos a prever o que é que vai acontecer daqui a 4 anos (…) Os toiros que existem para o ano serão o normal, mais o excedente deste ano, assim para o ano é capaz de haver um pouco mais de excesso de toiros. Este ano os números não são números alarmantes, mas podem começar a preocupar no próximo ano caso o numero de espectáculo venha por ai a baixo.”
