Foram os toiros de Rio Frio, foi a “quase” disfarçada “picardia” que alimentou a inspiração dos intérpretes, foi a abertura da feira ex-libris de Setembro, o ritmo do espectáculo; foram coisas várias que deram em resultado uma boa corrida de toiros! Foi a primeira da feira taurina da Moita a que o público acorreu para encher cerca de meia casa.
Não foi uma noite de “tudo perfeito”. Alguns toques nas montadas, alguns descompassos, um ou dois toiros mais reservados… Mas às vezes e, especialmente, quando há entrega dos artistas, é mesmo assim que se faz vibrar a bancada.
Para António Telles, no seu 30º aniversário de alternativa, abrir a feira da Moita e ser figura num cartel importante, só podia ser sinónimo de andar a gosto. Esteve ao seu jeito sobranceiro e em toureiro. Destacou a ferragem comprida do primeiro e encastado Rio Frio da noite e andou correcto nos curtos, de que se destacou o terceiro. Abriu a segunda parte com o toiro da corrida. Um bravo de investidas largas e nobres que emprestou todo o brilho aos três compridos de praça a praça, imediatamente brindados com música. De resto andou com donaire na abreviada série de curtos em que andou a critério.
Rui Fernandes andou solvente nos compridos do primeiro do seu lote que correspondeu à ferragem com muito som. Reagindo a doer-se ao primeiro curto, que já não quis rematar, o toiro passou a não sair tão pronto. Resolveu bem o cavaleiro a ler-lhe os tempos para extrair bons ferros. Adornou nos cites e sacou bons ferros, que chegaram à bancada. O quarto da ordem foi um bravo que de logo revelou bons modos. O segundo comprido, recebendo à tira, foi o primeiro de um recital de ferros emotivos. Levou o toiro na brega a duas pistas e deu-lhe vantagens de largo para as exuberâncias dos câmbios. O primeiro desta série foi realmente “ensurdecedor”. Faena extensa e variada a que se permitiu rodar quatro montadas e que levou a bancada a franco deleite. Noite de triunfo!
Mas também Vitor Ribeiro teve brilhante passagem pelo certame moitense. O terceiro da ordem andou sempre a procurar as tábuas e distrações mas tinha som no momento do ferro e recarregava enraçado. Foi brilhante o primeiro comprido a aguentar a intempestividade e igualmente brilhante o terceiro curto, numa composição de todo positiva a que a bancada reagiu. O último toiro da noite não foi claro. Se nos compridos pareceu adiantar-se para os ferros, nos curtos acabou por se revelar um dos mais reservados da noite. A lide foi de entendimento, a dar primazia ao toiro, reuniões cingidas e muitas ganas de triunfo. Soma o cavaleiro mais uma boa passagem.
A noite foi igualmente positiva para os homens da jaqueta de ramagens de três grupos “vizinhos”.
Pelos Amadores da Moita, pegou à primeira Fernando Grilo à primeira e António Raposo à segunda.
Dos Amadores do Montijo pegou Cláudio Bernardino à terceira tentativa e Hélio Lopes à primeira (em rija pega que o conduziu a segunda chamada aos médios)
Do Aposento do Barrete Verde de Alcochete pegou à primeira Marcelo Loia e Diogo Amaro à Segunda.
A acrescentar condimento à corrida, a despedida do bandarilheiro José Carlos Nicolau, a quem o Engº Samuel Lupi cortou a coleta. Ao microfone da praça agradeceu às casas da sua carreira…
À volta foi também por duas vezes chamado o ganadero, a quem oportunamente se reconheceu o interessante curro que apresentou.
Sara Teles
