Não houve dúvida que a noite de touros de dia 2 de Junho, no Campo Pequeno, foi de Pablo Hermoso de Mendonza. João Moura Jr esforçou-se e conseguiu duas lides muito fortes, e Lea Vicens quis fazer vingar o seu estilo mas não teve sorte no seu primeiro touro e tinha a mestria de Pablo, antes dois bons oponentes, a ensombrar a confirmação da sua alternativa.
Esta nocturna teve um curro de Santa Maria que cumpriu bem, foram pegados pelos grupos de Forcados amadores de Coruche e Alcochete, grupos esses criados precisamente na mesma data e ambos com os seus cabos a passarem testemunho esta temporada.
Lea Vicens teve uma praça cheia para debutar em Lisboa e confirmar a alternativa, provavelmente o seu toureio ficou comprometido com toda essa responsabilidade e, perante um touro relativamente complicado, deixou a lide prolongar-se excessivamente e cometeu algumas irregularidades na cravagem. No entanto, no seu segundo toiro da noite, mostrou-nós a verdade do seu toureio e teve bonitos momentos taurinos numa lide regular e agradável, caracterizada pelo seu classicismo e demonstrações de habilidade equestre.
Pablo, que cedeu o seu primeiro touro a Lea, foi o segundo cavaleiro em praça. No entanto, desta vez, o público que ali foi essencialmente para o ver a ele, teve total razão e tivemos duas lides extraordinárias. No seu primeiro touro, cuja investida era ideal para o cavaleiro, brilhou usando os seus cavalos como autênticos capotes e cravagem impecável. O segundo touro que lhe coube em sorte, a lide conseguiu ser ainda mais impressionante, acrescentando ao estilo da lide anterior algumas piruetas, gerando ainda mais sombra às lides do restante cartel.
João Moura Junior esteve muito bem, sendo esta uma temporada que lhe está a sorrir, corresponde ao seu extraordinário momento taurino, e não fosse o cartel ter Pablo, teria tido oportunidade de triunfar,apesar de lhe terem saído os dois piores touros da noite. No primeiro, o cavaleiro de Monforte cravou bem, rematou as sortes subtilmente, sendo apenas penalizado pela necessidade de usar muito a sua quadrilha, ante as complicações levantadas pelo toiro. Com o seu segundo oponente, a situação foi mais complicada, com o touro fechando-se em tábuas, o que chegou a causar um aperto do cavaleiro, não deu volta, apesar de lha terem concedido.
As duas primeiras pegas, como não poderia deixar de ser, ficaram a cargo dos cabos de Coruche e Alcochete, respectivamente Amorim Lopes e Vasco Pinto, ambos guardando uma boa recordação de pegas ao primeiro intento bem executadas.
Pelo grupo de Coruche foram também à cara João Peseiro, que não deu volta por ter pegado apenas à terceira tentativa; e António Tomás, que também não deu volta, pois também só cumpriu a sua função à terceira.
Por Alcochete, pegou também Fernando Quintela, à segunda, e João Machacaz, ao primeiro intento.
No intervalo, um anti-taurino saltou, pela primeira vez em Lisboa, para a arena (pelos vistos não teve coragem de saltar com o touro lá…), empunhando um papel com escritos antitaurinos e abrindo a camisa e mostrando o corpo pintado com dizeres da mesma índole. Imediatamente tentaram retirar o homem, estrangeiro, da arena, nomeadamente Rui Bento, e foi identificado pela polícia, tendo esta sido, provavelmente, uma iniciativa conjugada com a que no mesmo dia ocorreu na praça de Madrid e que foi idêntica.
Silvia Del Quema
