A corrida das vindimas foi mais parra do que uva, mostrando-nos um curro desigual de Manuel Coimbra, numa tarde em que Rui Fernandes triunfou e João Moura Júnior esteve em excelente nível.
Foi António Ribeiro Telles que teve menos sorte, tendo lidado o pior da tarde e ficado com um segundo sobrero para fechar a tarde, com o qual nos deus alguns dos melhores ferros da tarde. As pegas de Coruche destacaram-se, mesmo ante boas pegas dos seus camaradas dos grupos do Aposento Verde e da Chamusca.
António Ribeiro Telles teve o seu primeiro da tarde recolhido por se apresentar lesionado nos posteriores, assim a primeira lide foi a do touro que estava para sair como quarto da tarde. Este Manuel Coimbra, colorado muito bem apresentado, deu trabalho ao cavaleiro da Torrinha desde os compridos.
Na cravagem curta estava completamente desinteressado do cavalo, obrigando a passagens apertadas. Mas quem sabe sabe e a lide foi bonita e de cravagem irrepreensível.
Para a pega, pelo grupo do Barrete Verde de Alcochete foi o cabo Marcelo Loia que se fechou muito bem na primeira tentativa.
Rui Fernandes teve de esperar pelo menos dez minutos na arena até que o seu touro saísse, o que criou alguma tensão nos tendidos, quando saiu mostrou-se com pata e muito mais investida do que o anterior. Permitiu uma brega muito vistosa, seguindo bem a garupa da montada e Rui aproveitou bem o seu ímpeto, cravou bem e trouxe emoção aos tendidos, para compensar o tempo de espera entre lides.
À cara deste hastado foi, por Coruche, João Prates, que consumou uma excelente pega à córnea no primeiro intento.
João Moura Júnior abriu a sua prestação na Arena de Almeirim com uma excelente exibição. Cravou bem, citou melhor e ficou por cima de um touro complicado.
A pega da Chamusca foi efectuada por Rui Pedro com muito mérito, na primeira tentativa.
O sobrero que saiu a António Telles surgiu com o corno partido, não estando em condições para ser lidado. Assim, a lide foi adiada para último lugar.
Rui Fernandes teve um touro muito distraído com o movimento da praça, cravou dois excelentes compridos e nos curtos conseguiu fixar mais o touro, teve momentos de grande emoção em que o touro saía com muita pata e ele manteve-se eficaz na lide, terminando a sua passagem pela capital da sopa da pedra com um triunfo, cravando o último ferro ante forte petição da arena.
A pega foi executada por António Tomás, do grupo coruchense, ao primeiro intento, ante um touro de poderosa arrancada.
Mourinha veio fechar a tarde de touros em Almeirim com uma sorte gaiola muito bem executada, a fasquia foi subindo com boa cravagem e emoção a cada cite. Se recusou dar a volta na sua primeira lide, nesta deu-a com todo o gosto e mérito.
A pega ficou a cargo de Bernardo Borges, pela Chamusca, ao terceiro intento.
A praça foi esvaziando porque não tinham noção que havia mais um touro, porém havia, e Ribeiro Telles voltou à praça cheio de ganas, depois do azar com os anteriores oponentes, abrindo com uma porta gaiola praticamente dentro do curro.
Cravou bonitos compridos, só que foi nos curtos que lhe vimos a raça que lhe conhecemos: andou em cima da cara do touro em redondo, compôs sortes completas sem falhas e tudo isto num touro manso de parca colaboração.
Pelos forcados do Barrete Verde, foi Diogo Amaro ao touro, fechando-se na segunda violenta tentativa.
De notar que o piso da praça foi melhorado, mas ainda pode ser mais corrigido.
Sílvia Del Quema
